Thiago Romariz, novo diretor de Produto da CCXP, define como prioridade reaproximar o festival do público e diminuir a dependência das grandes produções de Hollywood. Segundo ele, o trabalho parte de um processo de escuta: pesquisas, formulários e grupos focais usados para mapear críticas e sugestões dos frequentadores.
Como o festival vai se aproximar do público
Uma das iniciativas centrais é a Guilda CCXP, um projeto-piloto que reúne representantes de comunidades — RPG, card games, Marvel, séries e outras — em quatro encontros por ano para apresentar demandas e ideias. A intenção é ampliar a iniciativa em 2027 e incorporar sugestões das comunidades na programação.
Quais atrações e convidados já foram anunciados
A organização busca recuperar atrações próprias e exposições produzidas especialmente para o evento. Para a edição deste ano, a CCXP já confirmou três atrações produzidas para o festival, entre elas uma exposição de One Piece feita em parceria com a Toei; as outras duas ainda serão anunciadas. O Palco Blast deve receber ao menos uma apresentação musical por dia, incluindo teatro musical.
- Convidados anunciados: Elijah Wood, Billy Boyd e Dominic Monaghan (franquia O Senhor dos Anéis).
- Posteriormente foi divulgada também a presença de Christopher Lloyd (De Volta Para o Futuro).
Dependência de Hollywood
Romariz explica que a CCXP reflete as mudanças do mercado de entretenimento: estúdios e investimentos oscilaram desde 2014, o streaming cresceu e grandes players reorganizam prioridades e verbas. Ele cita exemplos dessa instabilidade, como o fim da 20th Century Fox e mudanças recentes nas parcerias de estúdios, e afirma que a presença de grandes talentos de Hollywood pode variar a cada edição.
Por isso, a estratégia é fortalecer a conexão direta com a comunidade: quanto mais sólida essa relação, menor a vulnerabilidade a flutuações externas, e maior a pressão para que o mercado participe também nos momentos de retomada.
O que muda na experiência do público
Romariz diz que o foco não é aumentar a lotação, mas melhorar a experiência dos visitantes. Como parte disso, a organização quer reduzir a dependência de poucos estandes e oferecer mais alternativas durante o dia para diminuir filas e tornar o ingresso mais valioso.
A CCXP26 está marcada para 3 a 6 de dezembro, no São Paulo Expo, e os organizadores já divulgaram a faixa de preços:
- R$ 214,29 (meia-entrada para quinta-feira) a R$ 1.000 (ingresso social para os quatro dias).
- Com taxa de serviço de 12%: R$ 240 e R$ 1.120, respectivamente.
- Epic Pass: R$ 2.276,79 (R$ 2.550 com a taxa), com benefícios como fila exclusiva na entrada e banheiros reservados.
Planos além do festival
A CCXP estuda criar outros produtos e experiências ao longo do ano — seja mini-eventos, festivais temáticos ou outras atrações — para materializar a conexão com a comunidade em diferentes momentos. O grupo já participa da Gamescom Latam e ampliou a CCXP para o México; a organização planeja uma edição na Coreia do Sul em 2027. Um negócio anunciado em 2024 envolvendo o Anime Friends foi desfeito no ano seguinte.
Na visão do diretor, comunidade, pertencimento, experiência e relacionamento são os valores que vão orientar as mudanças e sustentar a estratégia de investir mais em atrações endêmicas e originais, independentemente das oscilações do mercado internacional.



