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Política2 min de leitura

Celso de Mello afirma que mandato só vem do voto e não de autoproclamação

Em reação à carta em que se declarou 'presidente eleito', o candidato derrotado também foi alvo de críticas por alegar fraude sem provas e buscar apoio externo

Por Redação Mastigado

Fonte: g1 · Ler matéria completa

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Resumo Mastigado

O ex-ministro Celso de Mello afirmou que "ninguém adquire um mandato presidencial por autoproclamação" e que a legitimidade decorre da soberania popular; a declaração reage à carta em que Flávio Bolsonaro negou o resultado, acusou fraude e se autoproclamou 'presidente eleito', postura que contraria o PL e a confirmação da vitória de Luiz Inácio Lula da Silva pelo TSE.
Celso de Mello afirma que mandato só vem do voto e não de autoproclamação
Foto: Jornal Nacional/ Reprodução

O ministro aposentado classificou como de "extraordinária gravidade política" a atitude de um candidato derrotado que se atribui a condição de presidente em oposição ao resultado proclamado pelas instituições competentes.

Segundo ele, a legitimidade presidencial não nasce da convicção pessoal de quem perdeu, da fidelidade de seus seguidores ou de eventual apoio estrangeiro: decorre da soberania popular exercida segundo as regras constitucionais que organizam a disputa eleitoral.

No documento divulgado pelo candidato derrotado — que publicou duas versões da carta e deixou o país — o autor diz não reconhecer o resultado das urnas, acusa suposta fraude eleitoral e chegou a se autoproclamar "presidente eleito"; no segundo texto, algumas expressões foram substituídas por "líder do Brasil".

O ministro aposentado ressaltou que o desrespeito ao resultado atinge também o eleitorado, porque o voto de quem escolheu outro candidato "não vale menos" e não pode ser apagado pela recusa do vencido em reconhecer sua eficácia.

Ele apontou ainda que as mesmas regras que permitem reivindicar a vitória obrigam a reconhecer a derrota, e que há caminhos formais para contestar eventual irregularidade mediante provas e pelos instrumentos legalmente previstos.

Por fim, o texto destacou que recorrer à comunidade internacional para obter uma "consagração política" capaz de substituir a decisão eleitoral brasileira é incompatível com a autodeterminação do povo: "Nenhum apoio estrangeiro confere mandato presidencial", concluiu.