O atual sistema de comitês de produção do Japão — em que empresas compartilham custos e direitos de um filme — ajuda a diluir riscos, mas também tende a limitar orçamentos, dificultar a entrada de investidores estrangeiros e atrasar decisões por exigir o acordo de todos os detentores de direitos.
No TIFFCOM, o mercado de conteúdo do Festival Internacional de Cinema de Tóquio, um painel reuniu produtores, executivos de bancos e especialistas jurídicos para avaliar se fundos de cinema podem aliviar essas limitações sem ferir as características do mercado japonês. Entre os participantes estavam Kii Muneyuki (CEO da K2 Pictures), Ibe Tomonobu (CEO da Questry), Nakagawa Keita (diretor da MUFG Bank) e Motoyanagi Yusuke (sócio do escritório Nishimura & Asahi).
Kii apresentou o K2P Film Fund I como exemplo de nova estrutura. O fundo foi fechado em fevereiro com cerca de JPY5 bilhões (aproximadamente US$32 milhões) e pretende financiar cerca de 50 filmes ao longo de sete anos. Trata‑se de um blind pool — investidores comprometem capital antes da seleção dos projetos — e um comitê de aprovação (greenlight) decide os investimentos. Entre os investidores estão a MUFG, o Development Bank of Japan e outras instituições financeiras e empresas.
Segundo Kii, desafios centrais incluem como devolver receita aos criadores, especialmente renda vinda de janelas pós‑teatro como o streaming. Ele também afirmou que é difícil basear a estratégia apenas em bilheteria internacional e que companhias japonesas precisam montar negócios além da simples distribuição.
O painel comparou modelos usados nos EUA e na Coreia do Sul: nos EUA, produtores combinam pré‑vendas com completion guarantees para obter empréstimos bancários — uma garantia de entrega do filme dentro do orçamento e do prazo, não do seu desempenho comercial. Na Coreia, o financiamento frequentemente combina apoio público e privado, com garantias governamentais que ajudam a destravar crédito bancário.
Nakagawa apresentou um estudo de viabilidade específico para o Japão, encomendado pelo Ministério da Economia, Comércio e Indústria (METI) e atribuído à MUFG em 31 de março. O trabalho, que seguirá até fevereiro de 2027, usará dados reais para desenvolver modelos de valuation e de garantias de conclusão, além de testar todo o processo desde a solicitação e revisão até a redação de contratos. O relatório avalia a viabilidade e não garante que financiamentos ou garantias estarão disponíveis ao final.
O debate encerrou com quatro prioridades apontadas pelos participantes: regulamentação, capital, criadores e negócios transfronteiriços. Entre as medidas sugeridas estão clarificar quais regras devem ser ampliadas, combinar dívida com subsídios e garantias de conclusão e estruturar retornos para os criadores dentro dos fundos. Os debatedores também alertaram para barreiras linguísticas e fiscais — como regras de "permanent establishment" que podem tornar investidores internacionais sujeitos ao imposto japonês — que dificultam o investimento estrangeiro.



