Quase uma década depois do primeiro "pivot para vídeo", quando publicações investiram pesadamente em produção de vídeos nas redes sociais e depois recuaram diante de métricas infladas e cortes de equipe, a mídia volta a realocar recursos para conteúdo em vídeo.
O impulso atual vem de mudanças nas plataformas: feeds reorganizados para priorizar vídeos e o crescimento de serviços de short-form impulsionaram editoras a experimentar formatos verticais, podcasts em clipes e adaptações de reportagens para telas pequenas. Ao mesmo tempo, empresas de tecnologia testam sinais de que querem transformar seus apps em destinos de vídeo também para telas maiores.
Plataformas que já dominam o consumo de vídeo móvel e conectam para a TV ampliam sua influência. YouTube ocupa fatia importante do que as pessoas assistem na televisão tradicional, e o uso de redes como TikTok para obter notícias cresceu consideravelmente entre públicos mais jovens. Esses movimentos empurram redações a repensar como contar e distribuir suas pautas.
Na prática, isso se traduz em iniciativas diversas: algumas redações criaram redes de criadores ou programas para integrar influenciadores; outras adaptaram séries e reportagens para formatos verticais íntimos; houve parcerias entre canais de notícias e produtores populares para formatos mais ágeis e conversacionais.
Mas persiste um problema estrutural: visualizações nem sempre viram receita. Plataformas costumam contabilizar “views” como vezes que um post foi servido, mesmo sem consumo efetivo, e ainda há dúvidas sobre a conversão de audiência em assinaturas ou receitas diretas. A questão de quem lucra com a atenção permanece em aberto.
Ao mesmo tempo, as redes ensaiam uma nova etapa: testes com vídeos em tela cheia ao abrir apps, suporte a upload de vídeos longos e incentivos financeiros a criadores. Isso pode elevar a barreira de entrada e exigir mais produção, empurrando alguns produtores e veículos em direção a conteúdos mais longos e com maior produção — ou deixando espaço para criadores independentes ocuparem territórios que redações não conseguirem atender.



