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Política3 min de leitura

Tarcísio e Haddad nacionalizam primeiro debate e trocam críticas

Duelo na Band girou em torno de segurança, privatizações e relação com o governo federal; houve acusações sobre o Moinho, 'Dark Horse' e operações policiais

Por Redação Mastigado

Fonte: Folha · Ler matéria completa

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Resumo Mastigado

No primeiro debate na Band entre os candidatos ao governo de São Paulo, Tarcísio de Freitas e Fernando Haddad ampliaram a disputa para temas nacionais: trocaram acusações sobre segurança pública, privatizações e a atuação do governo federal, citando Lula, Bolsonaro e casos como a desocupação do Moinho.
Tarcísio e Haddad nacionalizam primeiro debate e trocam críticas
Foto: Bruno Santos/Folhapress

O primeiro debate entre candidatos ao Governo de São Paulo, transmitido pela Band, teve apenas Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Fernando Haddad (PT) e rapidamente ganhou tom nacional. Os dois direcionaram críticas ao governo federal e entre si, discutindo segurança pública, privatizações e questões econômicas.

Principais temas

  • Segurança pública e operações policiais;
  • Privatizações, com foco em Sabesp e no sistema de trens;
  • Relação com o governo federal e menções a Lula e Bolsonaro;
  • Casos pontuais: desocupação do Moinho, o filme 'Dark Horse' e contratos de Wi‑Fi citados no debate.

Na discussão sobre a desocupação da favela do Moinho, Haddad perguntou se Tarcísio havia agradecido ao governo federal pela cessão do terreno, que pertencia à União. Tarcísio respondeu acusando a gestão federal de travar empréstimos internacionais e financiamentos pelo Banco do Brasil: "A visão não é tão republicana assim", disse ele. Haddad retrucou que o adversário estava "faltando com a verdade"; Tarcísio, por sua vez, afirmou: "Me impressiona o nível de mentira".

Em segurança, Haddad afirmou que o Comando Vermelho vem se infiltrando no estado e alegou vínculos de coronéis da Polícia Militar com o crime organizado. Também criticou a gestão anterior da pasta, comandada por Guilherme Derrite (PP), agora candidato ao Senado, e disse que Tarcísio deveria assumir responsabilidade. Tarcísio defendeu sua gestão, listando medidas e resultados: afirmou que São Paulo registrou os menores indicadores de homicídio, latrocínio, roubos e furtos da história e citou "mais de 500 operações em conjunto com o Ministério Público e a Polícia Federal".

Sobre privatizações, Haddad questionou as desestatizações promovidas pelo governador, em especial da Sabesp e do sistema de trens. Tarcísio afirmou que não faz privatizações "por fazer", mas quando há necessidade, e criticou o desempenho de estatais no governo federal, chegando a dizer: "PT é igual cupim, onde passa destrói tudo". O governador também cobrou posicionamento de Haddad sobre a Operação Lava Jato; o petista não respondeu à pergunta.

O debate teve momentos mais ríspidos: Tarcísio acusou Haddad de ter subido em um palco na favela do Moinho com uma mulher suspeita de envolvimento com o tráfico, afirmação que provocou reação do petista. Haddad mencionou ainda o filme "Dark Horse", financiado pelo banqueiro Daniel Vorcaro, e criticou contratos e suspeitas de irregularidade em contratos de Wi‑Fi — menção que levou o prefeito Ricardo Nunes, presente ao evento, a ir ao púlpito para advertir o candidato.

Os dois já se enfrentaram em 2022, e a disputa entre eles surge agora como uma prévia do que pode ser a eleição estadual: segundo pesquisa Datafolha citada no debate, de julho, Tarcísio aparece com 46% das intenções de voto e Haddad com 30%, porcentuais que apontam possibilidade de decisão em primeiro turno.