A convocação para o protesto partiu do Centro Acadêmico Evaristo da Veiga e da Associação Atlética Acadêmica Camillo Guerreiro, divulgada nas redes sociais como forma de canalizar a angústia de estudantes com o resultado eleitoral.
Na noite seguinte à publicação, os organizadores saíram em marcha. Moradores e transeuntes se somaram à caminhada, que passou pela reitoria e caminhou entre bairros tradicionais antes de retornar ao prédio da Faculdade de Direito.
Os estudantes explicaram que a reação foi motivada pelo receio de retrocessos na educação: na apuração, Flávio Bolsonaro teve vantagem, e muitos viam sua proposta de transferir as universidades do Ministério da Educação para o de Ciência e Tecnologia — uma pasta com menos verba, segundo os organizadores — como ameaça direta ao funcionamento das federais.
Valentina Cruz, diretora do centro acadêmico de Direito, afirmou que a mobilização buscava evitar cortes em infraestrutura e em auxílios essenciais para estudantes mais pobres. Em referência ao período 2019–2022, participantes lembraram contingenciamentos que prejudicaram bolsas e pesquisa.
Integrantes do movimento também citavam questões civis e o discurso de anistia a apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro como razões para a mobilização. "A vitória de Flávio claramente significaria corte em todas as áreas das universidades", disse Valentina.
Com a repercussão local, outros cursos e coletivos aderiram ao chamado. Ao longo da semana, movimentos estudantis realizaram novas passeatas no centro do Rio e em outras cidades — inclusive na Esplanada dos Ministérios, em Brasília — com bandeiras pela defesa da democracia e da educação pública.
Os organizadores relataram episódios de hostilidade, como o arremesso de ovos de sacadas, mas disseram que a resposta seguiu sendo pacífica. Para muitos participantes, o ato inicial foi o ponto de partida de uma campanha popular que buscou reverter o quadro eleitoral por meio de votos nulos e de convencimento de eleitores indecisos.
O advogado Felipe Santa Cruz, filho do militante Fernando Santa Cruz, elogiou a iniciativa estudantil: disse que os jovens da universidade se indignaram com o risco ao país e tomaram atitude espontânea. A mobilização, segundo ele, mostrou protagonismo estudantil na defesa contra o autoritarismo.
Nos dias seguintes, parte dos participantes voltou às ruas para celebrar a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula e para afirmar que manterá vigilância e atuação em defesa das universidades públicas nos próximos anos.



