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Política3 min de leitura

Câmara discute adoção do sistema distrital misto para eleger deputados

Há debate entre modelos (distrital misto, distritão e proporcional), resistência do PT e do PL e dúvidas sobre divisão de distritos e diversidade de eleitos

Por Redação Mastigado

Fonte: g1 · Ler matéria completa

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Resumo Mastigado

Deputados da Câmara articulam retomar uma PEC para adotar o sistema distrital misto na eleição de deputados, com transição prevista em 2030 e vigência completa em 2034. Líderes do centro buscam apoio do PT e de parte do PL; o relator indicado é Domingos Neto. O PL terminou 2026 com 121 deputados, e há resistência no partido; o PT também demonstra cautela.
Câmara discute adoção do sistema distrital misto para eleger deputados
Foto: Bruno Spada / Câmara dos Deputados

Hoje, deputados são eleitos pelo sistema proporcional: o Tribunal Superior Eleitoral calcula o quociente eleitoral e as vagas são distribuídas entre os partidos. Esse modelo permite os chamados "puxadores de votos" — candidatos com votação expressiva que ajudam a eleger colegas da legenda.

Quais modelos estão na mesa

  • Sistema proporcional: mantém a distribuição por quociente eleitoral e listas partidárias.
  • Distrital: estados seriam divididos em distritos; quem obtiver mais votos no distrito é eleito.
  • Distrital misto: metade das vagas por voto distrital e metade por lista fechada dos partidos, conforme a proporção de votos das siglas.
  • Distritão: eleição majoritária, em que os mais votados em cada unidade seriam eleitos.

Defensores do distrital misto apontam que ele reduziria o efeito dos "puxadores" e aproximaria deputados de regiões menores. Críticos alertam para riscos: perda de representação de grupos minoritários, maior influência de recursos na eleição e vulnerabilidade a controle local por organizações criminosas, segundo manifestações de parlamentares citadas na discussão.

O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), vem articulando a apresentação de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que institua o distrital misto. Líderes de partidos do centro esperam avançar na tramitação ainda em 2026 e buscam apoio do PT e de parte do PL, embora o PL tenha demonstrado resistência.

Nas negociações aparecem dúvidas práticas: quem definiria os distritos, como garantir inclusão e diversidade nas listas partidárias e qual seria o calendário de transição. Há na proposta a ideia de uma fase transitória antes da implementação plena do novo sistema.

Prazos, relatoria e inclusão

Entre os parlamentares há a proposta de não aplicar as novas regras já na próxima eleição: a discussão inclui a realização de uma transição em 2030 e a vigência integral do modelo em 2034. O deputado Domingos Neto (PSD-CE) foi apontado como relator de propostas sobre o distrital na Câmara.

Domingos Neto afirmou que a lista dos partidos deverá seguir regras de inclusão e cotas para mulheres e para negros e pardos, mas reconheceu que ainda existem dúvidas sobre como garantir a diversidade se as siglas puderem ordenar seus candidatos.

Também está em debate quem definiria os limites dos distritos: a proposta mencionada cita critérios do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e acompanhamento por uma comissão mista do Congresso. Defensores dizem que a mudança reduziria custos de campanha ao concentrar a disputa em regiões menores; opositores alegam que a alteração pode prejudicar partidos menores e reduzir renovação no Legislativo.

Propostas semelhantes já foram tentadas na Câmara em votações anteriores e não avançaram. No atual cenário, as articulações seguem em curso e pontos centrais — modelo final, regras de transição e garantias de representação — permanecem sem definição.

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