Um evento político realizado em um armazém de Brooklyn destinado a discutir as eleições de meio de mandato acabou dominado por conversas sobre inteligência artificial e a rápida expansão de data centers. O tom foi de frustração: jornalistas, ativistas, empreendedores e moradores trocaram acusações sobre quem se beneficia com a nova infraestrutura.
O encontro foi organizado pela Newsreel e trouxe painéis e conversas com nomes da cena tecnológica e política local. Entre os participantes havia discussões com o cofundador do aplicativo Opal, representantes de software de campanhas e uma mesa dedicada especificamente a data centers, moderada pela repórter que cobriu o evento.
No debate sobre data centers participaram Maia Woluchem, pesquisadora de tecnologia e direitos humanos, e Hilary Flint, defensora da saúde pública e do meio ambiente. O público demonstrou resistência: quando a moderadora perguntou quem era a favor de data centers de IA, a pergunta foi vaiada.
Por que o tema pegou
Vários fatores alimentam a reação. Moradores reclamam de acordos fechados às pressas entre empresas e autoridades locais, de regras de zoneamento pouco claras e da sensação de que decisões que afetam a vizinhança são tomadas sem consentimento. Há também inquietação sobre impactos ambientais, riscos à saúde e o discurso de que a automação pode substituir empregos.
As tensões aparecem em diferentes frentes: sindicatos e alguns políticos destacam a promessa de empregos durante a construção, enquanto ativistas lembram que a maior parte dessas vagas é temporária. Hilary Flint sintetizou o dilema ao questionar o custo humano desses projetos, contrapondo benefícios econômicos pontuais e a qualidade de vida das comunidades.
Dados citados no evento reforçam a dimensão do conflito: um relatório do Data Center Watch apontou que quase US$200 bilhões em projetos foram atrasados, paralisados ou bloqueados no primeiro semestre de 2026. Estados como Pensilvânia, Geórgia, Texas, Nova York e Virgínia estão discutindo medidas para aumentar transparência e impor limites à expansão — na Virgínia, centenas de novos centros ainda estão planejados.
Organizadores e participantes disseram que o fenômeno não está restrito a áreas rurais. Segundo o fundador da Newsreel, a discussão sobre IA virou questão eleitoral para eleitores comuns: em áreas rurais há temor de substituição de trabalho; em bairros como Brooklyn, a crítica é sobre quem lucra com a tecnologia.



