Num verão em Chipre, a história acompanha Iris, uma menina de 11 anos que passa os dias com a amiga mais velha Danae até receber a notícia da morte do avô. Ao voltar à cidade para o funeral, aparece Aris, o pai de Iris, que ela nunca conhecera. A trama acompanha a tentativa da menina de se aproximar desse homem pouco disposto a assumir responsabilidades, envolvendo‑se em seus pequenos golpes até que o passado de Aris traz problemas para os dois.
O filme estreou em Sundance, onde recebeu o World Cinema Dramatic Audience Award, e foi escolhido como a primeira inscrição internacional ao Oscar da história de Chipre. Atualmente, integra a seleção Just Film — dedicada a jovens e crianças — da 30ª edição do Tallinn Black Nights Film Festival, na Estônia. As vendas estão a cargo da Cercamon.
A produção é uma coprodução entre Chipre, Dinamarca e Grécia. No elenco estão a atriz estreante Maria Petrova e o veterano Christos Passalis, conhecido por Dogtooth. Lasse Ulvedal Tolbøll assinou a fotografia; a montagem foi feita por Jenna Mangulad e por Myrsini Aristidou. Aristidou e Monica Nicolaidou produziram o longa, com Thomas J. Mangan IV e Mark Hollinger como produtores executivos, e Anders N.U. Berg, Konstantina Stavrianou e Rena Vougioukalou como coprodutores.
Para Aristidou, a relação pai e filha é um tema recorrente em seu trabalho: ela já explorou essa dinâmica nos curtas Semele (2015) e Aria e quis aprofundá‑la em um longa. A diretora também buscou trazer elementos pessoais à narrativa — filmar perto do mar e lembrar a própria infância com amigos mais velhos foram referências importantes para a construção do filme.
O processo de elenco foi cuidadoso: Aristidou decidiu trabalhar com Christos Passalis meses antes das filmagens e avaliou a química dele com diferentes jovens atrizes. Maria Petrova não tinha experiência prévia, mas, segundo a diretora, havia um aspecto físico e relacional que a fez se parecer com a filha daquele homem. Por conta de imprevistos — Passalis chegou apenas um dia antes do início das filmagens após contrair COVID — a dupla não ensaiou muito; a diretora optou por filmar com a novidade da relação entre os personagens.
Aristidou descreve a inscrição ao Oscar como uma honra e como um momento de responsabilidade para com seu país: "É um caminho novo para Chipre", disse ela, lembrando que o filme também marcou a primeira presença de um longa cipriota em Sundance. Entre seus próximos passos, a diretora tem trabalhado em projetos diversos, incluindo a tentativa de desenvolver uma série de TV com tom de crime e espionagem, além de avaliar roteiros enviados por agentes nos EUA.



