Kii Muneyuki afirmou que, em conversas com Stephen Chow, o diretor de Hong Kong disse que o Japão deveria aproveitar suas próprias artes marciais — caratê, judô, jujitsu e kendô — para criar filmes de ação, em vez de imitar o kung fu. Kii contou que já dividiu bebidas com Chow em Tóquio e citou a fala direta do cineasta sobre o tema.
Quais investidores e metas do fundo
O K2P Film Fund I, que apoiou o live‑action de Kore‑eda Hirokazu, "Look Back", concluiu uma rodada de equity de US$33 milhões em fevereiro. Kii disse que, depois do fechamento, outras empresas se aproximaram para investir e que a rodada pode ser reaberta se os atuais patrocinadores concordarem.
Até agora cerca de 30 companhias entraram no fundo, lideradas pelo MUFG Bank. Entre os demais investidores estão Bandai, Dentsu, o Development Bank of Japan e empresas do setor imobiliário como Tokyu Land e Mori Trust. Kii atua como general partner do fundo.
A participação em equity está sendo combinada com empréstimos que estão sendo somados progressivamente e já chegam a US$67 milhões, com um plano final de US$100 milhões e a meta de financiar 50 filmes ao longo de sete anos.
Projetos e estratégia internacional
Kii apresentou ainda projetos apoiados pela K2, como o noir ambientado em Fukushima "The Nuke Crab", que a empresa mostrou em Cannes. Ele e a diretora Nagata Koto disseram mirar tanto o público japonês quanto mercados do Leste Europeu — incluindo Polônia e Ucrânia — por haver ali uma conexão com a memória de Chernobyl. O filme está em desenvolvimento e a filmagem está prevista para o ano que vem.
Nagata descreveu o tema como socialmente tabu no Japão, algo que redes de TV ou grandes estúdios normalmente não abraçariam. Segundo ela, a K2 reagiu prontamente: "Quando eu levei para Kii‑san, ele disse imediatamente: 'Isso parece interessante, vamos fazer'".
A K2 foi criada como alternativa ao sistema de production committee do Japão, que, segundo Kii, prioriza o mercado local e afasta investimento externo. Na estrutura da K2, os lucros são calculados por título, com 70% destinados aos investidores e 30% à parte criativa, em reconhecimento ao papel dos criadores mesmo quando não colocam dinheiro no projeto.
Kii explicou que a decisão de aprovar um filme fica com um grupo de seis ou sete produtores e que o teste principal é se os custos podem ser equilibrados com a receita provável. Ele citou exemplos de cálculo de orçamento: se um filme só deve arrecadar JPY50 milhões (cerca de US$330 mil), o ideal é produzi‑lo por JPY20 milhões (aprox. US$130 mil).
Para reduzir riscos de estreia, a K2 organiza pré‑vendas, acordos com plataformas e patrocínios, garantindo que projetos de diretores estreantes não terminem em prejuízo. Kii disse querer lançar novos cineastas e manter uma relação de gratidão mútua.
Além da produção, a K2 abriu filiais em Taiwan e na Coreia para distribuir diretamente nesses mercados — uma tentativa de aumentar o valor internacional dos títulos japoneses além dos tradicionais acordos de licenciamento. Kii também afirmou que busca mudanças legais que permitam securitizar conteúdo, como já ocorre com imóveis, para facilitar o investimento na indústria cinematográfica.



