O encontro realizado no Palácio da Alvorada reuniu ministros, ex-ministros e economistas para avaliar o cenário econômico brasileiro e identificar os principais desafios para os próximos anos. Participantes disseram haver convergência no diagnóstico, mas não houve definição de medidas concretas.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, informou que, depois do retorno do presidente da viagem internacional, apresentará propostas para a agenda fiscal. Ele afirmou que vai trabalhar com o ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, na elaboração das medidas a serem submetidas à avaliação presidencial.
Durigan disse que as propostas buscarão "conciliar a responsabilidade fiscal com a manutenção dos compromissos sociais" do governo e que o objetivo é garantir superávits nos próximos anos. Em sua avaliação, não existe "fórmula mágica" para o ajuste, mas há compromisso em manter a disciplina fiscal.
Segundo participantes, a reunião destacou desafios como a taxa de juros e o cenário internacional. O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, foi convidado, mas não participou: estava no período de silêncio do Comitê de Política Monetária (Copom) após a decisão sobre a taxa básica de juros.
As discussões ocorrem em meio ao avanço da dívida pública: dados do Banco Central mostram que a dívida bruta do governo geral alcançou 82,9% do Produto Interno Bruto em setembro, equivalente a R$ 11,1 trilhões, ante 71,7% do PIB em dezembro de 2022. A trajetória da dívida e a necessidade de melhorar os resultados das contas públicas deverão orientar as propostas.
Na véspera, o Copom manteve a Selic em 13,75% ao ano. O presidente Lula deverá fazer um pronunciamento em cadeia nacional no domingo, em que a expectativa é que reforce compromisso com a responsabilidade fiscal e a continuidade dos programas sociais, sem anunciar medidas específicas.
O encontro convocado pelo presidente integra uma primeira rodada de conversas ampliadas sobre a conjuntura econômica. O governo informou que seguirá consultando representantes da sociedade civil, empresários e o mercado financeiro e pretende dar transparência às propostas enquanto a viagem presidencial ocorre.
Quem participou
- Geraldo Alckmin: vice-presidente da República
- Dario Durigan: ministro da Fazenda
- Miriam Belchior: ministra da Casa Civil
- Bruno Moretti: ministro do Planejamento e Orçamento
- Esther Dweck: ministra da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos
- Aloizio Mercadante: presidente do BNDES
- Fernando Haddad: ex-ministro da Fazenda
- Guido Mantega: ex-ministro da Fazenda
- Luciano Coutinho: ex-presidente do BNDES
- Eduardo Moreira: empresário e economista
- Laura Carvalho: economista



