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Curiosidades2 min de leitura

Estudo encontra vestígios de sangue em fóssil de dinossauro de 115 milhões de anos

Pesquisadores dizem que mineralização por manganês e um ambiente com baixo oxigênio ajudaram a preservar as estruturas e os sinais químicos

Por Redação Mastigado

Fonte: livescience.com · Ler matéria completa

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Resumo Mastigado

Pesquisadores identificaram estruturas microscópicas semelhantes a glóbulos vermelhos e assinaturas químicas de heme em canais vasculares de ossos de Aratasaurus museunacionali, de 115 milhões de anos — a evidência química mais antiga ligada ao sangue em dinossauros. Especialistas, porém, questionam a forma e o tamanho dessas microestruturas.
Estudo encontra vestígios de sangue em fóssil de dinossauro de 115 milhões de anos
Foto: Victor O. Leshyk

O estudo, publicado na revista PNAS em 2 de novembro, afirma ser o primeiro a usar análises químicas in situ para identificar assinaturas de heme em ossos de dinossauro e relacionar esses sinais às microestruturas preservadas dentro do material fossilizado.

O que encontraram

Os pesquisadores examinaram ossos dos membros de Aratasaurus museunacionali, um theropoda de pequeno porte do Cretáceo, e identificaram numerosas estruturas microscópicas dentro de canais vasculares — os condutos que originalmente alojavam vasos sanguíneos. A morfologia, o tamanho e a localização dessas estruturas foram consideradas compatíveis com glóbulos vermelhos.

Além das imagens microscópicas, as análises químicas detectaram compostos relacionados ao heme, o componente que contém ferro e integra a hemoglobina. Os autores também reportaram a presença de aminoácidos associados ao colágeno, proteína estrutural do osso.

Como pode ter sido preservado

Os cientistas propõem que a preservação decorreu de enterramento rápido em sedimento em ambiente com baixo oxigênio, possivelmente coberto por tapetes microbianos (biofilmes). Nesses cenários, a mineralização precoce teria replicado ou estabilizado estruturas biológicas antes da destruição completa.

Em particular, as microestruturas foram mineralizadas com hausmanita, um óxido de manganês (Mn3O4), e a equipe sugere que essa mineralização ajudou a conservar a forma original e parte da química associada às células.

Métodos

Os autores combinaram técnicas de microscopia, análises mineralógicas e geoquímica molecular, realizando investigações químicas diretamente no interior do osso fossilizado (in situ). Entre os métodos usados está a espectroscopia Raman de ressonância, citada como parte da abordagem analítica.

Críticas à interpretação

Nem todos os especialistas concordam com a conclusão de que as microestruturas são restos de glóbulos vermelhos. A pesquisadora Mary Schweitzer, que estuda tecidos fósseis, afirmou que as formas observadas não coincidem claramente com os glóbulos esperados em répteis e aves, que costumam reter núcleo e apresentar um calombo nuclear característico. As estruturas reportadas aparecem mais côncavas, sem esse bulbo, e menores do que a maioria dos glóbulos não mamíferos, segundo a crítica.

Os autores, por sua vez, defendem que a combinação de evidências morfológicas, mineralógicas e químicas — incluindo sinais de heme — dá robustez à interpretação de que se trata de material sanguíneo alterado pela fossilização.

O debate ilustra tanto os avanços das abordagens moleculares aplicadas a fósseis quanto os limites atuais de interpretar formas e assinaturas químicas preservadas ao longo de milhões de anos.

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