Oficialmente chamada "Solinho do Fora PT", a faixa ganhou visibilidade depois que Lucas Pavanato e Eduarda Campopiano, eleitos respectivamente deputado federal e deputada estadual por São Paulo, comemoraram a vitória dançando ao som dela. A canção passou a tocar em "bloquinhos do 22" e em comícios do então candidato à Presidência.
O caminho da melodia
- Década de 1860: surge na Rússia a partir do poema "Korobeiniki", de Nikolai Nekrasov, e vira canção popular.
- Década de 1980: entra no repertório do Coro do Exército Soviético, que a gravou ao vivo em Londres.
- 1989: torna-se o tema do Tetris na versão para Game Boy, num arranjo de Hirokazu Tanaka.
- Início dos anos 2000: a versão do Tetris chega ao funk carioca em montagens e em faixas da Furacão 2000.
- 2026: a mesma melodia embala o funk do "petista disfarçado" usado em atos e jingles políticos.
Canção russa do século 19
A melodia tem raiz antes da revolução comunista. Conhecida como "Korobeiniki" ("mascates", em russo), ela se baseia em um poema de Nikolai Nekrasov publicado em 1861 durante o Império Russo. O texto narra o encontro entre um vendedor ambulante e uma jovem; ao longo do tempo, o poema ganhou versão musical e se popularizou como canção folclórica.
A gravação do Coro Soviético
O repertório de grupos do Exército Soviético incluiu a canção, e uma gravação ao vivo feita no Royal Albert Hall, em Londres, data de março de 1988. O mesmo disco trazia repertório variado, como o hino britânico e interpretações de Beatles e ópera. Nos anos 1930, um musicólogo soviético chegou a lamentar que a peça fosse mais popular que canções revolucionárias, segundo o jornal americano The Boston Globe.
Do Tetris ao Game Boy
O jogo Tetris foi criado em 1984 por Alexey Pajitnov, na União Soviética, e sua versão inicial não tinha som. A melodia virou tema do jogo em 1989, quando o compositor japonês Hirokazu Tanaka assinou o arranjo para a versão do Game Boy que se popularizou globalmente.
Do funk carioca aos 'bloquinhos do 22'
A melodia chegou ao funk no início dos anos 2000 em montagens e foi usada pela equipe Furacão 2000 na faixa "Jonathan da Nova Geração", que combinava o tema do Tetris com o Volt Mix — batida criada em 1988 pelo DJ americano Battery Brain. Reaproveitar bases conhecidas é prática comum no gênero.
Em 2026, a mesma base serviu de suporte para versos dirigidos ao PT e à esquerda. Jingles no ritmo foram usados em atos e vídeos de nomes da direita, como Nikolas Ferreira, Lucas Pavanato e Eduarda Campopiano; no domingo do segundo turno, seis das 50 músicas mais ouvidas no Spotify no país eram desse tipo.
O uso provocou críticas por contradição: políticos conservadores que atacam bailes funk foram vistos adotando a batida. Pavanato afirmou que "o problema com o funk, por óbvio, é a letra, não o ritmo". Alguns MCs tradicionais do gênero optaram por apoiar Lula ou permanecer neutros — entre eles, Hariel e PH foram citados como apoiadores do petista.



