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Cultura Pop2 min de leitura

Red Before Dawn revisita revolução indonésia de forma didática

Animações, músicas e um elenco plural (Nicholas Saputra, Laura Basuki) tentam dar ritmo à jornada, mas exposições longas e arcos desnecessários enfraquecem o suspense.

Por Redação Mastigado

Fonte: The Hollywood Reporter · Ler matéria completa

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Resumo Mastigado

Red Before Dawn, de Garin Nugroho, revisita a revolução indonésia como uma road movie ambientada em 1946, seguindo um grupo plural que atravessa zonas de conflito para levar documentos ao novo governo. Historicamente rico, o filme é pedagógico demais e carece de tensão dramática.
Red Before Dawn revisita revolução indonésia de forma didática
Foto: Reprodução/The Hollywood Reporter

O centro da história é Frans (Nicholas Saputra), um engenheiro de origem mista que parte em missão para entregar estudos geológicos ao novo governo. Ele viaja com Qasim (Bront Palarae), motorista de origem indiana; Arya (Nagra Pakusadewo), operador de rádio cego; Fifi (Laura Basuki), enfermeira de ascendência chinesa; e Bandriah (Tissa Biani), cantora de lounge — um grupo que reúne diferentes etnias e crenças.

Estrutura e recursos visuais

O filme se organiza como uma road movie que percorre paisagens variadas — florestas, vilas e ruínas — e intercala cenas em ação com trechos em animação que expõem pensamentos do narrador. A abertura usa uma peça teatral para ilustrar a dureza dos ataques neerlandeses aos combatentes indonésios; há também números musicais e momentos de leveza, incluindo canções performadas por Biani.

O que funciona e o que falha

Garin Nugroho demonstra bom domínio de mise-en-scène em ambientes rurais e nas cenas que mesclam rotina e devastação. Ainda assim, a película tende ao didatismo: diálogos expositivos e situações que parecem montadas para cobrir diferentes facetas do conflito reduzem a dimensão dramática e a urgência das cenas de perigo.

O roteiro apresenta Frans como figura simbólica da divisão colonial, e a narrativa procura mostrar como, apesar das diferenças, pessoas se unem pela causa da independência. No entanto, muitos episódios se desenrolam com tensão insuficiente: tiros, sequestros e confrontos chegam a acontecer, mas nunca alcançam o nível de suspense que a premissa sugere. Subtramas, como o romance entre Frans e Fifi, acabam soando supérfluas.

O filme não deixa de transmitir o peso da época: estimativas citadas sobre o conflito apontam entre 100 mil e 250 mil mortos do lado indonésio e cerca de 15 mil mortos do lado neerlandês, além de milhões de deslocados. Ao final, os traumas acumulados dos personagens compõem uma visão da revolução que é ao mesmo tempo sangrenta e marcada por esperança — ainda que a abordagem pedagógica impeça que essa visão se transforme em suspense plenamente envolvente.

Ficha técnica resumida: Elenco — Nicholas Saputra, Laura Basuki, Bront Palarae, Tissa Biani, Nagra Pakusadewo; Duração — 1h53; Idiomas — indonésio, inglês e neerlandês. O filme foi exibido no circuito de festivais, incluindo o Tokyo International Film Festival.

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