Pular para o conteúdo

Saúde2 min de leitura

Idosos ativos têm volume maior em áreas de memória e raciocínio, mostra revisão

Pesquisa da Unesp, orientada por Lucas Melo Neves e com apoio da FAPESP, analisou imagens por ressonância e medidas de movimento diário

Por Redação Mastigado

Fonte: Superinteressante · Ler matéria completa

Compartilhar

Resumo Mastigado

Revisão de 19 estudos com 2.684 idosos concluiu que níveis mais altos de atividade física habitual associam-se a maior volume cerebral, especialmente em regiões ligadas à memória e ao raciocínio, como o hipocampo. Os autores observam que os achados são de estudos observacionais e não comprovam causalidade.
Idosos ativos têm volume maior em áreas de memória e raciocínio, mostra revisão
Foto: Age Cymru/Unsplash

Uma equipe da Universidade Estadual Paulista (Unesp), com apoio da FAPESP, publicou uma revisão sistemática que investigou a relação entre atividade física habitual e o volume de diferentes regiões do cérebro na velhice. O trabalho foi orientado pelo professor Lucas Melo Neves e conduzido, em parte, pela graduanda Sara Oliveira Dias de Lucena.

Os autores reuniram 19 estudos observacionais que, juntos, mediram o volume cerebral por ressonância magnética e avaliaram o nível habitual de atividade física por questionários ou acelerômetros. As análises cobriram dezenas de estruturas e regiões cerebrais para comparar pessoas com diferentes níveis de movimento diário.

Os resultados mostraram associação consistente entre maior atividade física e maior volume cerebral total, além de preservação em regiões importantes para cognição — entre elas o hipocampo — e na substância branca, que conecta diferentes áreas do cérebro. Em alguns estudos, idosos que alcançavam a recomendação mínima da OMS (cerca de 150 minutos semanais) apresentaram hipocampo entre 7% e 10% maior que os menos ativos.

Os pesquisadores destacam mecanismos biológicos que podem explicar a relação: a prática regular de exercício aumenta fatores neurotróficos como o BDNF, melhora o fluxo sanguíneo cerebral, estimula a formação de novos vasos e pode reduzir processos inflamatórios crônicos, criando um ambiente favorável à saúde neural.

Apesar da consistência, a equipe ressalta uma limitação importante: por se tratar de estudos observacionais, não é possível afirmar que a atividade física cause o aumento do volume cerebral. Existe a possibilidade de que pessoas com cérebro estruturalmente mais preservado tenham maior predisposição para se manter ativas.

Para tentar esclarecer essa questão de causalidade, os autores informam que trabalham agora em uma nova revisão focada em estudos de intervenção, que acompanham idosos ao longo do tempo em programas estruturados de exercício para verificar efeitos diretos sobre a preservação ou aumento do volume cerebral.

Segundo os responsáveis pelo estudo, a mensagem prática permanece: movimentar-se regularmente está associado a um cérebro mais saudável na velhice, o que tem implicações importantes diante do envelhecimento populacional e do aumento da prevalência de demências.

Conteúdo agregado de fontes citadas, com crédito e link. Pedir retirada