A nova montagem transforma o trabalho originalmente feito para headset em uma instalação compartilhada: projeções, som direcional e movimento ocupam a sala, e o público fica entre tempestades e frotas enquanto criaturas aparecem sob o piso.
A versão exposta na competição imersiva de Cannes parte da peça em realidade virtual de 2024, que recebeu indicação ao Emmy. Nesta edição, a narrativa é conduzida por narração em off que guia o ambiente e as emoções do espectador, em vez de aparecer em cena.
Os responsáveis pelo projeto são a atriz e produtora Lucy Liu e a roteirista e diretora Eloise Singer. As duas trabalharam juntas nos últimos três anos sobre um projeto que Singer vem desenvolvendo há uma década; além da montagem para salas, elas coescreveram uma graphic novel e estão produzindo um novo jogo baseado no mesmo universo.
O trabalho reconta a história de Cheng Shih, uma figura real do início do século 18 que comandou frotas no Mar do Sul da China. Liu afirma que Cheng Shih era estrategicamente brilhante, capaz de negociar e liderar em um contexto que excluía mulheres, e que sua trajetória desconstrói estereótipos aplicados a mulheres asiáticas na narrativa histórica.
BAFTA anunciou a inclusão de Singer no programa Breakthrough do Reino Unido, iniciativa apoiada pela Netflix para talentos emergentes; ela foi escolhida na categoria games por 'No Safe Waters'. Singer disse que a seleção é um reconhecimento importante para projetos imersivos e que sentiu ser um momento quase surreal.
Além da atividade imersiva e das adaptações em quadrinhos e jogo, Singer segue desenvolvendo projetos roteirizados para cinema e TV. As criadoras dizem enxergar o trabalho como um 'storyworld' maior, pensado para existir em formatos diferentes e oferecer experiências distintas ao público.



