A menopausa ocorre quando se esgota a reserva de folículos nos ovários — estruturas que abrigam os óvulos e produzem a maior parte dos hormônios femininos. Com o esgotamento dessa reserva, a mulher deixa de ovular e surgem sintomas típicos da transição reprodutiva, como ondas de calor, alterações do sono e sintomas geniturinários, segundo o ginecologista Luciano de Melo Pompei.
O período que antecede a última menstruação é chamado de climatério ou perimenopausa. Nesse estágio os ciclos podem ficar irregulares e os sintomas aparecerem antes da cessação definitiva da menstruação.
Na prática clínica, a confirmação formal da menopausa ocorre quando há 12 meses consecutivos sem menstruação; a Organização Mundial da Saúde situa essa faixa de ocorrência habitualmente entre os 45 e 55 anos. Para a maioria das mulheres nessa faixa etária com sintomas compatíveis, a avaliação clínica basta para o diagnóstico.
O endocrinologista Pedro Saddi explica que exames hormonais como FSH e estradiol costumam oscilar muito durante a perimenopausa. "Uma única dosagem hormonal não reflete necessariamente o estágio reprodutivo da mulher"; por isso, resultados isolados podem confundir mais do que esclarecer.
Quando os exames são indicados
- Mulheres com menos de 40 anos com ausência ou irregularidade menstrual, para investigar insuficiência ovariana prematura (POI);
- Mulheres entre 40 e 45 anos quando houver dúvida diagnóstica;
- Casos de menopausa precoce ou induzida por cirurgia ovariana bilateral, quimioterapia ou radioterapia;
- Investigação de infertilidade.
Outros exames podem ser solicitados conforme os sintomas: TSH para avaliar a função da tireoide e hemograma para verificar anemia em casos de sangramento anormal, por exemplo. Medicamentos como anticoncepcionais hormonais e terapia hormonal podem mascarar alterações menstruais e influenciar os resultados laboratoriais.
Segundo especialistas, pedidos excessivos de exames decorrem de três motivos principais: a cultura de exames tanto entre médicos quanto pacientes, a prática de check-ups padronizados sem individualização e a tentativa de excluir outras causas que mimetizam sintomas do climatério. A Febrasgo já alertou que excesso de exames e procedimentos pode causar mais prejuízo que benefício.
O mais importante, concluem os médicos, é individualizar a investigação: idade, histórico menstrual e o padrão de sintomas devem orientar quais testes são realmente necessários, em vez de solicitar uma bateria de exames de rotina.



