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Saúde2 min de leitura

Menopausa: diagnóstico é clínico e exames hormonais são raramente necessários

Exames ficam reservados para menopausa precoce, dúvidas em mulheres mais jovens ou após tratamentos que afetam os ovários

Por Redação Mastigado

Fonte: UOL · Ler matéria completa

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Resumo Mastigado

O diagnóstico da menopausa é clínico: considera-se conclusivo após 12 meses sem menstruação. Em mulheres com quadro típico, exames como FSH e estradiol raramente são necessários porque os níveis oscilam muito na perimenopausa; testes são indicados em casos específicos, como menopausa precoce ou após quimioterapia ou cirurgia ovariana.
Menopausa: diagnóstico é clínico e exames hormonais são raramente necessários
Foto: Reprodução/UOL

A menopausa ocorre quando se esgota a reserva de folículos nos ovários — estruturas que abrigam os óvulos e produzem a maior parte dos hormônios femininos. Com o esgotamento dessa reserva, a mulher deixa de ovular e surgem sintomas típicos da transição reprodutiva, como ondas de calor, alterações do sono e sintomas geniturinários, segundo o ginecologista Luciano de Melo Pompei.

O período que antecede a última menstruação é chamado de climatério ou perimenopausa. Nesse estágio os ciclos podem ficar irregulares e os sintomas aparecerem antes da cessação definitiva da menstruação.

Na prática clínica, a confirmação formal da menopausa ocorre quando há 12 meses consecutivos sem menstruação; a Organização Mundial da Saúde situa essa faixa de ocorrência habitualmente entre os 45 e 55 anos. Para a maioria das mulheres nessa faixa etária com sintomas compatíveis, a avaliação clínica basta para o diagnóstico.

O endocrinologista Pedro Saddi explica que exames hormonais como FSH e estradiol costumam oscilar muito durante a perimenopausa. "Uma única dosagem hormonal não reflete necessariamente o estágio reprodutivo da mulher"; por isso, resultados isolados podem confundir mais do que esclarecer.

Quando os exames são indicados

  • Mulheres com menos de 40 anos com ausência ou irregularidade menstrual, para investigar insuficiência ovariana prematura (POI);
  • Mulheres entre 40 e 45 anos quando houver dúvida diagnóstica;
  • Casos de menopausa precoce ou induzida por cirurgia ovariana bilateral, quimioterapia ou radioterapia;
  • Investigação de infertilidade.

Outros exames podem ser solicitados conforme os sintomas: TSH para avaliar a função da tireoide e hemograma para verificar anemia em casos de sangramento anormal, por exemplo. Medicamentos como anticoncepcionais hormonais e terapia hormonal podem mascarar alterações menstruais e influenciar os resultados laboratoriais.

Segundo especialistas, pedidos excessivos de exames decorrem de três motivos principais: a cultura de exames tanto entre médicos quanto pacientes, a prática de check-ups padronizados sem individualização e a tentativa de excluir outras causas que mimetizam sintomas do climatério. A Febrasgo já alertou que excesso de exames e procedimentos pode causar mais prejuízo que benefício.

O mais importante, concluem os médicos, é individualizar a investigação: idade, histórico menstrual e o padrão de sintomas devem orientar quais testes são realmente necessários, em vez de solicitar uma bateria de exames de rotina.