Desde a eleição, o governo tem sofrido pressão para indicar o titular do Ministério da Fazenda. O mercado reagiu ao resultado com queda da bolsa e alta do dólar, e o Banco Central interrompeu em 4 de novembro a sequência de cortes da Selic, mantendo a taxa. Nos dias seguintes, o presidente recebeu ministros e economistas para tratar das medidas em estudo.
Projeções de inflação subiram e expectativas de crescimento foram revistas para baixo após a eleição. Em entrevistas, o presidente afirmou que o crescimento da economia é o caminho para enfrentar o avanço da dívida pública, enquanto interlocutores da equipe econômica dizem que o ajuste será consistente e gradual para viabilizar a redução dos juros sem eliminar políticas sociais.
O que está na mesa
- Compromisso mais explícito com o cumprimento da meta fiscal, com envio ao Congresso de projeto para estabelecer o compromisso de atingir o centro da meta em 2027.
- Revisão de benefícios e benefícios fiscais, incluindo a aplicação de regras que reduzem automaticamente determinadas renúncias não previstas na Constituição.
- Reforço do arcabouço fiscal, com novas travas para conter o crescimento das despesas públicas.
- Exceções já aprovadas pelo Congresso, como R$ 64,7 bilhões em despesas com precatórios e projetos em defesa, saúde e educação, podem ficar fora dos limites fiscais.
O governo propôs que a meta central para 2027 seja um superávit primário equivalente a 0,5% do PIB (R$ 73,2 bilhões), com margem de tolerância de 0,25 ponto percentual. Nesse formato, é possível cumprir formalmente a meta mesmo com um resultado menor, desde que alcance pelo menos R$ 36,6 bilhões.
Para estabilizar a dívida pública, o relatório de Acompanhamento Fiscal da Instituição Fiscal Independente (IFI) apontou que seria necessário um superávit de cerca de 2,1% do PIB — patamar superior ao ajuste em análise pelo governo. O time econômico reconhece, ainda, desafio adicional em 2027 devido a medidas anunciadas na campanha que elevam despesas.
O que fica fora do radar
Algumas propostas frequentemente citadas por analistas não aparecem entre as medidas sinalizadas pelo governo. Entre elas estão o fim do aumento real do salário mínimo, a desvinculação de benefícios previdenciários do piso nacional e a adoção de metas explícitas para os juros, com redução gradual da Selic ligada à queda da dívida.
A equipe também descarta cortar programas e benefícios sociais como instrumento do ajuste. O ministro apontou que não haverá mudança na fórmula de reajuste do salário mínimo com ganho real e que não haverá “cavalo de pau” na política econômica. A proposta de metas para os juros é vista por interlocutores como arriscada por poder pressionar o câmbio; nesse cenário, foi sugerido que as reservas cambiais do país — citadas na casa dos US$ 350 bilhões — poderiam ser usadas para conter volatilidade.
Em síntese, a prioridade do governo, segundo suas declarações públicas e interlocutores, será combinar medidas de ajuste por receita (revisão de benefícios fiscais) e travas ao crescimento das despesas com preservação das principais políticas sociais, buscando criar espaço para reduzir os juros ao longo do mandato.



