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Projeto no Senado dos EUA quer acelerar licenças para obras de energia

Proposta de 417 páginas é bipartidária e neutra em tecnologia; apoio e críticas divergem sobre os efeitos para o clima e para terras públicas.

Por Redação Mastigado

Fonte: technologyreview.com · Ler matéria completa

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Resumo Mastigado

O Senado vota em 9 de novembro o Bipartisan American Affordability and Jobs Act (BAAJA), que busca simplificar e acelerar licenças federais para projetos de energia. O texto é neutro em tecnologia e pode favorecer tanto renováveis quanto gás. Estudos divergem: no melhor cenário, análises estimam redução de emissões e ganho econômico (Rhodium: -4% nas emissões da economia e +200 GW limpos até 2040; RFF: -6% nas emissões do setor elétrico até 2041), mas modelos independentes mostram risco de aumento de emissões se o pacote estimular novas usinas a gás; há também preocupação sobre afrouxamento de exigências ambientais para terras públicas.
Projeto no Senado dos EUA quer acelerar licenças para obras de energia
Foto: Reprodução/technologyreview.com

O texto de 417 páginas muda regras do licenciamento federal para restringir que tipos de projetos precisem de autorizações e para impor prazos de análise, com objetivos de acelerar obras de transmissão, usinas e outras infraestruturas energéticas. Também traz medidas sobre planejamento de linhas de transmissão e mineração.

O que o projeto prevê

Entre as alterações estão a definição mais estreita dos projetos sujeitos a revisão federal e a fixação de calendários para decisões que hoje podem levar anos. A proposta é ampla e inclui dispositivos diversos além do licenciamento, como regras sobre planejamento de transmissão.

Estimativas sobre emissões e custos

As análises iniciais apresentam cenários opostos.

  • O think tank Rhodium Group indica que, no melhor cenário, o projeto reduziria as emissões da economia em 4%, reduziria a conta de energia em US$78 por domicílio ao ano e viabilizaria 200 GW adicionais de energia limpa até 2040; no pior cenário, as emissões permaneceriam próximas ao patamar atual.
  • Um relatório do grupo Resources for the Future calcula redução de 6% nas emissões do setor elétrico até 2041 e uma economia superior a US$350 bilhões em custos do sistema até meados do século.
  • Por outro lado, modelagens de pesquisadores independentes sugerem que a reforma poderia estimular a construção de novas usinas a gás, elevando emissões e riscos à saúde caso esse seja o resultado predominante.

Quem apoia e quem critica

A proposição tem quatro patrocinadores no Senado — dois republicanos e dois democratas — e recebeu apoio da Casa Branca, cujo Conselho de Assessores Econômicos afirmou que o texto reduziria tempos de revisão e traria benefícios ao PIB. Grupos do setor de energia limpa, como a American Clean Power Association, disseram que o projeto poderia destravar centenas de gigawatts de capacidade limpa (estimativa do grupo: 350 GW).

Organizações ambientais levantaram objeções: uma avaliação do Natural Resources Defense Council aponta que, embora medidas sobre transmissão possam beneficiar a rede, o estreitamento das revisões ambientais pode prejudicar áreas públicas e privadas.

O dilema central

Especialistas destacam que a reforma é neutra em termos de tecnologia, o que cria um trade-off: facilitar licenças deve acelerar tanto projetos renováveis quanto empreendimentos a gás. Para alguns modelos, isso resulta em menor custo e mais eletricidade disponível; para outros, em aumento das emissões se a nova capacidade favorecer combustíveis fósseis.

Próximos passos

O Senado marcou a votação para 9 de novembro. Mesmo se aprovada, o texto enfrenta incertezas políticas: mudanças futuras dependeriam das negociações no Congresso e da sanção presidencial. A magnitude do impacto climático do pacote dependerá, em última instância, de quais projetos efetivamente saírem do papel.

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