A Tau Robotics oferece limpezas com robôs humanoides em fase beta e, segundo a empresa, chegou a cobrar US$30 por hora em testes iniciais; o preço mudou e hoje há pacotes anunciados de US$60 por semana com dois robôs ou US$100 para uma visita avulsa. Cada robô tem cerca de 1,4 metro de altura, cabeça e mãos impressas em 3D (a empresa usa garras em vez de mãos humanas por questão de durabilidade) e acessórios como meias antiderrapantes para não riscar o piso.
Chegada, escadas e primeiros problemas
Na primeira visita observada pelo autor, o robô chegou em uma van azul acompanhado por representantes da Tau. Ele teve dificuldades para subir o lance de oito degraus até a entrada do prédio — entrou e saiu em passos que pareciam cambalear — e precisou ser carregado nos últimos degraus. Dentro do apartamento, o equipamento alternou entre operar e travar; a equipe atribuiu inicialmente as falhas a superaquecimento, mas depois descobriu que um equipamento usado pelo piloto remoto havia parado de funcionar, o que impediu o controle do robô e antecipou o fim da sessão.
Segunda visita e desempenho
A Tau compensou o cliente pela visita interrompida e agendou uma nova limpeza. Na segunda tentativa o robô se saiu melhor: subiu os degraus com menos ajuda, limpou a cozinha e enfrentou a tarefa do vaso sanitário — em uma sequência curiosa, a cabeça do acessório de limpeza do vaso se soltou três vezes e foi recolocada pelo robô ao manipular o cabo até encaixar novamente. Ao mesmo tempo, a máquina cometeu deslizes simples, como deixar torneiras pingando, derrubar uma garrafa fechada de azeite e não conseguir recolocar um purificador de ar que tombou.
Como a tecnologia é treinada
Grande parte do trabalho dos robôs ainda depende de suporte humano: pilotos remotos controlam os movimentos a partir das câmeras nas cabeças e punhos das máquinas; em tarefas como arrumar camas ou dobrar roupas, o piloto realiza a ação e sensores transmitem os movimentos para que o robô os copie — técnica chamada de guiança cinemática. Esses exemplos reais são usados para treinar modelos que, no futuro, permitiriam maior autonomia.
O que a empresa e a cofundadora dizem
A cofundadora Cornelia Weinzierl afirmou que algumas tarefas, como aspirar e passar pano, já podem ser executadas sem assistência humana, e que a empresa pretende usar os dados coletados para tornar os robôs mais independentes. Weinzierl também citou motivos práticos para automatizar limpeza — alta rotatividade e riscos físicos associados ao trabalho — e mencionou possíveis aplicações futuras em serviços perigosos ou fisicamente exigentes, como remoção de mofo ou cuidados domiciliares.
Limites e impactos
A Tau realizou até o momento apenas algumas centenas de limpezas, segundo a matéria, o que indica que ainda são necessárias muitas iterações e dados para cobrir a variedade de tarefas domésticas. Além do charme — o robô foi descrito como “fofo” por quem acompanhou —, há preocupações com perda de empregos se os sistemas se tornarem autônomos e baratos, e com a falta de políticas públicas para lidar com eventuais desalojamentos de trabalhadores.
Em suma, a experiência mostra que já existem robôs humanoides capazes de limpar e executar ações delicadas, mas que, por ora, dependem bastante de controle humano e ainda cometem erros comuns em ambiente doméstico.



