Os resultados foram apresentados em um webinário organizado pela Fundação Oswaldo Cruz e pela Fundação Getulio Vargas, com participação de pesquisadores de oito países e representantes do Ministério da Saúde.
As projeções foram produzidas no âmbito do Desafio de Previsão de Dengue InfoDengue–Mosqlimate (IMDC), iniciativa que compara modelos de forma aberta e padronizada. Nesta edição participaram 27 equipes de oito países; o conjunto divulgado reúne 22 modelos desenvolvidos por mais de 130 pesquisadores.
O modelo conjunto estima cerca de 860 mil casos prováveis de dengue, com um intervalo de incerteza de 80% entre 560 mil e 1,6 milhão de casos, e prevê pico de aproximadamente 40 mil casos em abril. Apesar dos números, os especialistas avaliam que o cenário não aponta uma epidemia atípica como a observada em 2024, mas requer organização da rede de saúde e intensificação das ações de prevenção.
“Em três edições, o desafio cresceu de um punhado de equipes para uma comunidade global que trabalha de forma aberta para transformar dados de dengue em previsões que gestores de saúde pública possam realmente usar”, afirmou o pesquisador da FGV e do Mosqlimate, Flávio C. Coelho.
“As projeções não apontam uma epidemia como a de 2024, mas indicam que a dengue continuará exigindo atenção. É o momento de organizar a rede e intensificar a prevenção”, disse a pesquisadora da Fiocruz e coordenadora do InfoDengue, Claudia Codeço.
Quanto ao clima, apenas três modelos incorporaram variáveis climáticas e eles divergem entre si sobre a magnitude e a distribuição dos efeitos. Os pesquisadores alertam que o possível super El Niño deve ser tratado como gatilho para planos de contingência e acompanhamento por modelos de curtíssimo prazo, não como base quantitativa definitiva.
Estados com tendência de alta
- Paraná
- Rio de Janeiro
- Mato Grosso do Sul
- Sergipe
- Acre
- Minas Gerais
Para os demais estados, o cenário projetado é próximo ou inferior à temporada anterior, mas todos são aconselhados a manter vigilância reforçada devido à incerteza climática.
Projeção para Chikungunya
A equipe também apresentou projeções de Chikungunya baseadas em 11 modelos, que indicam mais de 90 mil casos prováveis. Como referência, na temporada 2024-25 foram registrados 127 mil casos e em 2025-26, 76 mil casos. A previsão aponta aumento na Região Nordeste (Ceará, Rio Grande do Norte, Bahia, Paraíba, Sergipe e Piauí), nos três estados do Sul, em São Paulo, e em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul — este último com a maior incidência do país. O Espírito Santo foi excluído das projeções por inconsistências nos dados de notificação.
Prevenção
Os especialistas reforçaram que a principal forma de reduzir casos de dengue e Chikungunya é a prevenção: eliminar água parada em vasos, pneus, calhas e recipientes e buscar atendimento ao primeiro sinal de febre, dor no corpo ou manchas na pele. Eles ressaltam que as projeções não substituem a vigilância rotineira, mas ajudam gestores a se antecipar e planejar recursos.



