O levantamento da consultoria Moneyou avaliou 40 países e mostra, além dos líderes, presença de Rússia, Colômbia, Indonésia, México, África do Sul, Hungria e Chile entre os dez primeiros colocados.
Os 10 primeiros colocados
- Brasil — 9,05%
- Turquia — 7,77%
- Argentina — 6,80%
- Rússia — 6,57%
- Colômbia — 4,05%
- Indonésia — 3,67%
- México — 3,26%
- África do Sul — 2,93%
- Hungria — 2,04%
- Chile — 1,69%
No levantamento anterior, publicado em setembro, o juro real do país estava em 8,45% — nível inferior ao registrado agora.
Decisão do Copom
Na última quarta-feira, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central interrompeu a trajetória de queda da taxa básica de juros e, por unanimidade, manteve a Selic em 13,75% ao ano. O comunicado do Copom citou ampliação de incertezas nas semanas recentes e afirmou que as expectativas de inflação continuam acima da meta; o colegiado não sinalizou a trajetória dos juros nas próximas reuniões.
A Selic é o principal instrumento do BC para controlar a inflação. No acumulado de 12 meses, a inflação subiu para 4,62%, acima do teto da meta de 4,5%.
Impacto nas contas públicas
Os juros elevados são apontados pelo Banco Central como a principal causa do aumento da dívida pública. Nos últimos 12 meses, os gastos com juros consumiram mais de R$ 1,1 trilhão do orçamento público, o equivalente a 8,9% do Produto Interno Bruto (PIB).
Com a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, agentes do mercado financeiro têm cobrado cortes de gastos para tentar estabilizar a dívida, que saiu de 71,7% do PIB em 2022 para cerca de 82,9% em agosto de 2026.
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) criticou a manutenção dos juros, classificando a decisão como “injustificável” e afirmando que a medida onera empresas e famílias. Ricardo Alban, presidente da CNI, afirmou: “É possível continuar diminuindo os juros em ritmo compatível com a convergência da inflação para a meta, sem impor à economia um custo maior”.
Economistas críticos à atual política monetária destacam que, como os juros altos são os maiores responsáveis pelo aumento da dívida, deve-se buscar alternativas que favoreçam a redução das taxas.



