A Organização Meteorológica Mundial (OMM) aponta que a desaceleração do ritmo de crescimento de algumas concentrações provavelmente se deve à redução das emissões e à recuperação de sumidouros de carbono terrestres. Ainda assim, o relatório ressalta que a tendência geral de alta reflete a persistência de grandes emissões pela queima de combustíveis fósseis e pode ter sido influenciada pela temporada de El Niño.
Principais gases
Dióxido de carbono (CO₂). A concentração alcançou 426,8 partes por milhão (ppm), 2,8 ppm a mais do que em 2024. O aumento anual foi um pouco menor que o registrado em 2024 (3,6 ppm) mas ficou acima da média da década (2,62 ppm por ano). O CO₂ responde por 66% da força radiativa dos gases do efeito estufa e por 83% do aumento dessa força na última década.
Metano (CH₄). A concentração chegou a 1.948 partes por bilhão (ppb), um acréscimo de 6 ppb em relação a 2024, menor que os aumentos recentes. O metano responde por 16% da força radiativa. Cerca de dois terços das emissões de metano são de origem humana, como criação de gado e decomposição de resíduos orgânicos.
Óxido nitroso (N₂O). A concentração foi de 339,1 ppb, aumento de 1,1 ppb sobre 2024, próximo à média anual da década. Embora presente em menor quantidade, cada molécula de N₂O tem potencial de aquecimento muito superior ao do CO₂; aproximadamente um terço das emissões tem origem humana, por exemplo no uso de fertilizantes agrícolas.
Outros gases e riscos
O relatório registra queda nas concentrações de clorofluorcarbonos (CFCs), mas observa crescimento de alguns substitutos industriais, como hidroclorofluorcarbonos (HCFCs) e hidrofluorcarbonos (HFCs). Os gases halogenados continuam a contribuir para o aquecimento, respondendo por cerca de 12% da força radiativa.
Há também preocupação com o aumento do hexafluoreto de enxofre (SF₆) usado pela indústria elétrica: sua concentração atual é cerca de três vezes maior do que a observada em meados da década de 1990 e o gás tem vida útil atmosférica superior a 1.900 anos.
O relatório chama atenção ainda para o gás hidrogênio (H₂): embora não seja um gás de efeito estufa direto, vazamentos de H₂ podem reduzir a abundância de hidroxilas (OH) — moléculas que ajudam a limpar a atmosfera — e, assim, diminuir a remoção de metano, contribuindo indiretamente para o aquecimento.
Destino das emissões
Do total das emissões humanas entre 2015 e 2024, metade acumulou-se na atmosfera. O restante foi absorvido pelos oceanos (29%) ou pela terra (21%), por processos biológicos ou geológicos.
O documento da OMM reúne medições e análises sobre a composição atmosférica e chama atenção para a necessidade de reduzir as emissões de combustíveis fósseis e monitorar gases industriais e vazamentos que podem prolongar ou agravar o aquecimento global.



