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Concentração de gases do efeito estufa bate recorde em 2025

Relatório da OMM alerta ainda para alta de alguns gases industriais, crescimento do SF₆ e riscos associados a vazamentos de hidrogênio.

Por Redação Mastigado

Fonte: Poder360 · Ler matéria completa

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Resumo Mastigado

Relatório da Organização Meteorológica Mundial mostrou que 2025 registrou concentrações "sem precedentes" de gases do efeito estufa: o CO₂ atingiu 426,8 ppm (53% acima do nível pré‑industrial). Metano e óxido nitroso também subiram, indicando continuidade das emissões de combustíveis fósseis.
Concentração de gases do efeito estufa bate recorde em 2025
Foto: Agência Brasil

A Organização Meteorológica Mundial (OMM) aponta que a desaceleração do ritmo de crescimento de algumas concentrações provavelmente se deve à redução das emissões e à recuperação de sumidouros de carbono terrestres. Ainda assim, o relatório ressalta que a tendência geral de alta reflete a persistência de grandes emissões pela queima de combustíveis fósseis e pode ter sido influenciada pela temporada de El Niño.

Principais gases

Dióxido de carbono (CO₂). A concentração alcançou 426,8 partes por milhão (ppm), 2,8 ppm a mais do que em 2024. O aumento anual foi um pouco menor que o registrado em 2024 (3,6 ppm) mas ficou acima da média da década (2,62 ppm por ano). O CO₂ responde por 66% da força radiativa dos gases do efeito estufa e por 83% do aumento dessa força na última década.

Metano (CH₄). A concentração chegou a 1.948 partes por bilhão (ppb), um acréscimo de 6 ppb em relação a 2024, menor que os aumentos recentes. O metano responde por 16% da força radiativa. Cerca de dois terços das emissões de metano são de origem humana, como criação de gado e decomposição de resíduos orgânicos.

Óxido nitroso (N₂O). A concentração foi de 339,1 ppb, aumento de 1,1 ppb sobre 2024, próximo à média anual da década. Embora presente em menor quantidade, cada molécula de N₂O tem potencial de aquecimento muito superior ao do CO₂; aproximadamente um terço das emissões tem origem humana, por exemplo no uso de fertilizantes agrícolas.

Outros gases e riscos

O relatório registra queda nas concentrações de clorofluorcarbonos (CFCs), mas observa crescimento de alguns substitutos industriais, como hidroclorofluorcarbonos (HCFCs) e hidrofluorcarbonos (HFCs). Os gases halogenados continuam a contribuir para o aquecimento, respondendo por cerca de 12% da força radiativa.

Há também preocupação com o aumento do hexafluoreto de enxofre (SF₆) usado pela indústria elétrica: sua concentração atual é cerca de três vezes maior do que a observada em meados da década de 1990 e o gás tem vida útil atmosférica superior a 1.900 anos.

O relatório chama atenção ainda para o gás hidrogênio (H₂): embora não seja um gás de efeito estufa direto, vazamentos de H₂ podem reduzir a abundância de hidroxilas (OH) — moléculas que ajudam a limpar a atmosfera — e, assim, diminuir a remoção de metano, contribuindo indiretamente para o aquecimento.

Destino das emissões

Do total das emissões humanas entre 2015 e 2024, metade acumulou-se na atmosfera. O restante foi absorvido pelos oceanos (29%) ou pela terra (21%), por processos biológicos ou geológicos.

O documento da OMM reúne medições e análises sobre a composição atmosférica e chama atenção para a necessidade de reduzir as emissões de combustíveis fósseis e monitorar gases industriais e vazamentos que podem prolongar ou agravar o aquecimento global.