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Saúde3 min de leitura

Deficiência de G6PD: causas, sintomas e como diagnosticar

Doença genética torna hemácias mais vulneráveis à hemólise; prevalência no Brasil varia de 1,7% a 24% e o exame só é confiável meses após uma crise.

Por Redação Mastigado

Fonte: UOL · Ler matéria completa

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Resumo Mastigado

A deficiência de G6PD é uma condição genética que deixa os glóbulos vermelhos mais vulneráveis à destruição e pode causar cansaço, urina escura e icterícia nas crises. O exame da atividade da enzima só é confiável meses após uma crise ou transfusão.
Deficiência de G6PD: causas, sintomas e como diagnosticar
Foto: Reprodução/UOL

A enzima G6PD protege as hemácias das espécies reativas de oxigênio (radicais livres). Quando sua atividade é reduzida, essas moléculas danificam a membrana das células sanguíneas, que podem perder fragmentos ou ser destruídas em um processo chamado hemólise, segundo o hematologista Cezar Emiliano Gonçalves.

Causas

A deficiência resulta de variantes genéticas que reduzem ou anulam a atividade da enzima G6PD nas hemácias. O gene está no cromossomo X, por isso a condição é mais frequente e costuma se manifestar com maior intensidade em meninos e homens — que têm apenas uma cópia do X. Em meninas e mulheres, a expressão é mais variada devido ao processo de inativação de um dos cromossomos X durante o desenvolvimento, que pode produzir mosaicos celulares com atividade enzimática diferente.

Gatilhos

A doença está presente desde o nascimento, mas crises hemolíticas costumam ocorrer após contato com gatilhos. Entre eles estão:

  • Infecções;
  • Certos medicamentos: dapsona, primaquina e rasburicase; também exigem cuidado nitrofurantoína e naftalina;
  • Alimentos como as favas.

Na pediatria há cautela com antitérmicos: a dipirona aparece em algumas listas de risco, embora as evidências de hemólise sejam limitadas; paracetamol e ibuprofeno, em doses adequadas, são alternativas possíveis e devem ser avaliadas pelo pediatra, segundo a pediatra Elisabeth Fernandes.

Crise hemolítica e sintomas

Quando uma crise ocorre, as hemácias são destruídas mais rápido do que o organismo repõe, e os sinais podem incluir:

  • Anemia, fraqueza e cansaço;
  • Urina escura (cor de coca-cola);
  • Icterícia (pele e olhos amarelados);
  • Dores abdominais e lombares.

Diante desses sintomas, a pessoa deve procurar atendimento médico. Em casos de cansaço extremo, oligoanúria (queda do volume de urina) ou dor intensa, é indicado buscar um pronto-socorro imediatamente.

Diagnóstico

O diagnóstico é feito por exame de sangue que mede a atividade da G6PD. Esse teste não deve ser realizado durante uma crise hemolítica, porque as hemácias mais afetadas podem ter sido destruídas, levando a um resultado falso-negativo. Após transfusão sanguínea, recomenda-se aguardar pelo menos três meses antes de testar. No Brasil, o teste não faz parte do painel básico do teste do pezinho oferecido pelo SUS, embora possa constar em versões ampliadas ou programas específicos de triagem neonatal. O pediatra deve suspeitar da condição em casos de icterícia neonatal intensa ou prolongada, anemia sem causa aparente, urina escura ou histórico familiar.

Tratamento

Não há cura específica que elimine a deficiência de G6PD. O cuidado central é identificar a condição e evitar medicamentos, alimentos e outras substâncias que possam desencadear crises. Em episódios de hemólise, o manejo inclui tratamento adequado da infecção quando presente, hidratação para proteger os rins e, se necessário, transfusão de concentrado de hemácias em casos de anemia grave com sintomas relevantes.