O termo déjà vu — que significa “já visto” — foi usado pela primeira vez no século 18 por Émile Boirac. Ao longo da história, o fenômeno recebeu interpretações variadas: filósofos e parapsicólogos já o viram como premonição, espíritas o ligaram a experiências do espírito fora do corpo e Freud relacionou-o a fantasias ou desejos inconscientes.
O que acontece no cérebro
Na visão científica, o déjà vu tem origem biológica. Nosso sistema nervoso compara constantemente a informação atual com previsões sobre o que deve acontecer. Quando esses dois impulsos — a previsão e a percepção do momento — chegam com leve dessincronização a uma região responsável por processar e comparar memórias, o cérebro interpreta a cena como se já fosse conhecida.
Na prática, isso gera a sensação de familiaridade imediata: durante alguns segundos a pessoa pode ter a impressão de “ver” detalhes da cena, ouvir sons ou até acreditar que conseguirá prever os próximos acontecimentos. Em seguida, quando a atividade neuronal volta ao normal, a sensação desaparece.
Pesquisadores observam que o déjà vu é comum e breve, e que sua explicação atual não envolve fenômenos paranormais. A descrição desse mecanismo é baseada em relatos de especialistas, entre eles o neurocientista Gilberto Xavier, do Instituto de Biociências da USP, e na obra The Déjà Vu Experience, de Alan S. Brown.



