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Economia3 min de leitura

Economistas dizem que corte de gastos não resolve a dívida pública

Eles apontam juros altos e o peso do pagamento de juros como principais causas e alertam que cortes prejudicariam áreas sociais; Forbes sugeriu até R$450 bilhões em ajustes

Por Redação Mastigado

Fonte: Agência Brasil · Ler matéria completa

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Resumo Mastigado

Economistas consultados rejeitam cortar gastos primários como solução principal para conter a dívida pública. Para eles, o motor da alta é o custo com juros e as altas taxas; cortes, alertam, prejudicariam saúde, educação e previdência.
Economistas dizem que corte de gastos não resolve a dívida pública
Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil

A dívida pública brasileira cresceu de 71,7% do PIB em 2022 para cerca de 82,9% do PIB em agosto de 2026. Estudos usados pela revista Forbes e divulgados com base no Instituto Fiscal Independente sugeriram cortes de até R$ 450 bilhões; propostas menores, de R$ 250 bilhões, foram atribuídas a um candidato durante a campanha.

Quais argumentos dos economistas

Economistas de correntes consideradas heterodoxas ou desenvolvimentistas rejeitam a ideia de que o ajuste por meio de cortes nos gastos primários — aqueles destinados à prestação de serviços públicos — seja o caminho adequado. A professora do Instituto de Economia da Unicamp, Simone Deos, afirma que a dívida em moeda nacional não configura risco de calote e que o aumento recente é explicado principalmente pelo custo dos juros.

O professor Fernando Henrique Lemos Rodrigues, da UFRRJ, afirma que a proporção da dívida em relação ao PIB ainda está dentro de parâmetros aceitáveis internacionalmente e critica a comparação do Estado com uma família, lembrando que o país pode alongar prazos e gerar receitas por meio de estatais.

Juros e pagamento de juros

Dados mencionados pelos economistas e por autoridades mostram que a taxa de juros real no Brasil foi apontada em 8,45% — levantamento citado no texto — e que, nos últimos 12 meses, o país gastou cerca de R$ 1,1 trilhão em juros, o equivalente a 8,86% do PIB. Para esses especialistas, são justamente os juros nominais e o custo com pagamentos de juros que têm impulsionado a trajetória da dívida.

Rodrigues argumenta ainda que a pressão do mercado financeiro por cortes atua como forma de manter taxas de juros elevadas, porque o Banco Central condiciona reduções de juros à obtenção de superávits primários. Segundo o professor, parte relevante da rentabilidade dos fundos vem da dívida pública — ele citou que um fundo pode obter cerca de 90% de sua rentabilidade da dívida.

Comparação internacional

  • Japão: 236% do PIB
  • Estados Unidos: 120% do PIB
  • Reino Unido: 101% do PIB
  • Itália: 135% do PIB
  • Índia: 81,2% do PIB
  • Canadá: 110% do PIB

Esses números, levantados com base em dados do Fundo Monetário Internacional de 2024, são usados por pesquisadores como referência para argumentar que vários países apresentam níveis de dívida iguais ou superiores ao brasileiro.

O que propõem os críticos

Simone Deos defende abrir espaço para discutir a eficiência e a qualidade dos gastos públicos sem prejudicar políticas sociais e sugere que a estabilização da dívida poderia ocorrer com uma redução coordenada dos juros e medidas sobre o câmbio, mencionando ainda o uso das reservas em dólar como instrumento. Já Fernando Henrique Rodrigues defende fortalecimento do orçamento social e investimentos públicos que, no seu entendimento, geram renda, emprego e mais arrecadação no médio prazo.