A Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) foi uma das primeiras entidades empresariais a se manifestar contra a circulação de listas que associam estabelecimentos a posições políticas e convocam consumidores ao boicote. Em nota intitulada "Abrasel repudia listas de boicote e discurso de ódio após as eleições", a associação afirmou que empresários têm convicções diversas e que campanhas para prejudicar economicamente negócios e trabalhadores podem gerar responsabilização civil e judicial.
Reações da OAB
Seccionais da Ordem dos Advogados do Brasil divulgaram notas de repúdio ressaltando que a liberdade de expressão e a pluralidade são pilares do Estado Democrático de Direito. As seccionais advertiram que atos de discriminação ou constrangimento por divergência eleitoral não podem justificar perseguição econômica, exposição pública ou restrição de direitos.
Ação do MPT contra a Meta
O Ministério Público do Trabalho apontou uso de plataformas digitais para pressionar empregadores a "vigiar, expor, deixar de contratar e demitir funcionários por causa do voto" e entrou com ação civil pública pedindo que a Meta retire do ar publicações que convocam boicotes. Segundo o procurador Maurício de Mello, o MPT recebeu 1.140 denúncias de assédio eleitoral apenas nos três dias após o pleito, de um total de 3.080 registradas desde o início da campanha.
O presidente do Tribunal Superior do Trabalho (TST) afirmou que as práticas atingem não só trabalhadores assalariados, mas também profissionais autônomos e pequenos estabelecimentos que manifestaram posicionamentos políticos.
Cobrança pública e referência histórica
A ex-deputada Manuela d'Ávila publicou vídeo comparando a circulação de listas de boicote à perseguição econômica contra comerciantes judeus na Alemanha nazista, afirmando que a identificação pública para estimular prejuízos por convicções políticas é uma prática autoritária. O professor Francisco Carlos Teixeira, especialista em História Contemporânea, afirmou que a organização de listas é uma prática comum em regimes autoritários e citou episódios da ditadura militar brasileira como exemplos históricos de expulsão e perseguição política.
Entidades e órgãos alertam que, além do impacto econômico, tais iniciativas representam riscos jurídicos e podem aprofundar tensões sociais no período pós-eleitoral.



