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Economia3 min de leitura

Estudo: sem proteção, soja pode perder até 55% da produtividade

Relatório também aponta crescimento do uso de agrotóxicos no país e riscos à saúde e ao meio ambiente

Por Redação Mastigado

Fonte: Agência Brasil · Ler matéria completa

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Resumo Mastigado

Estudo da Universidade Federal de Viçosa, em parceria com a Croplife Brasil, indica que lavouras de soja sem controle fitossanitário podem ter queda de até 55% na produtividade. A pesquisa projeta perda média de 121,3 milhões de toneladas, redução de receita de US$ 17,6 bilhões nas exportações e alta nos preços que impactaria a inflação.
Estudo: sem proteção, soja pode perder até 55% da produtividade
Foto: CNA/Wenderson Araujo/Trilux

Pesquisadores realizaram simulações que combinam doenças, pragas e plantas daninhas para avaliar os efeitos do manejo nas lavouras. Foram testados três cenários de proteção: sem controle, controle parcial e controle ótimo, e consideradas diferentes estratégias que podem compor o manejo integrado.

O estudo analisou quatro doenças, cinco pragas e nove plantas daninhas, e estimou produtividades distintas conforme o nível de controle. A pesquisa também calculou quanto de área e de produção seriam necessários para compensar eventuais perdas e quais seriam as consequências para a oferta no mercado interno e externo.

Impactos na produção, na oferta e nas exportações

Segundo as simulações, o controle ótimo elevaria a produtividade por hectare a 72 sacas, o controle parcial a 52 sacas (28% abaixo do ótimo) e a ausência de manejo reduziria a produtividade para 32 sacas, o que equivale a uma perda de até 55% em relação ao cenário ótimo. Para compensar essa falta de controle, seria necessário cultivar cerca de 33,5 milhões de hectares adicionais. A perda média estimada no cenário sem manejo alcança 121,3 milhões de toneladas, com valor aproximado de R$ 223,5 bilhões.

Na simulação de receitas, as exportações de soja com controle ótimo chegam a US$ 44,2 bilhões; sem controle, recuam para US$ 26,6 bilhões — diferença potencial de US$ 17,6 bilhões por safra. A redução da oferta poderia elevar o preço da soja em até 49% e acrescentar cerca de 0,26 ponto percentual ao IPCA, pela pressão sobre produtos como óleo, leite e ovos.

Sobre os efeitos no mercado, a pesquisadora da UFV Ana Carolyne Carvalho diz: "Essa redução da produtividade da soja, lá no produtor, acaba tendo um impacto significativo no preço da soja e na disponibilidade dos produtos no mercado final".

Quais métodos foram avaliados

  • Biotecnologia (incluindo organismos geneticamente modificados);
  • Melhoramento genético;
  • Bioinsumos;
  • Defensivos químicos;
  • Manejo integrado, que combina dois ou mais desses métodos.

Riscos e crescimento do uso de defensivos

Levantamento do Ipea citado no estudo mostra que, entre 2003 e 2023, o consumo anual de defensivos químicos no Brasil cresceu de 180 mil para 800 mil toneladas — um aumento de 4,4 vezes —, colocando o país com uso médio de 10,9 kg por hectare plantado, acima de Estados Unidos e China.

O pesquisador da Embrapa Robson Barizon alerta para os riscos dos químicos: "Os defensivos químicos podem apresentar riscos à saúde humana, incluindo efeitos agudos e crônicos, dependendo da toxicidade das substâncias e dos níveis de exposição. No ambiente, podem contaminar solos e recursos hídricos e afetar organismos não alvo".

Barizon também destaca que organismos geneticamente modificados podem tanto reduzir quanto aumentar o uso de agrotóxicos, dependendo da característica da modificação e das práticas agrícolas associadas, por exemplo quando culturas tolerantes incentivam maior uso de herbicidas e seleção de plantas daninhas resistentes.

Do lado do setor, o coordenador de Sustentabilidade da Croplife, Pedro Duarte, afirma que a aprovação de defensivos passa por estudos e que há investimento para garantir segurança quando os produtos são usados conforme as recomendações.

O Ipea registra que, entre 2005 e 2019, foram registrados 3.151 novos agrotóxicos no país, com apenas 20% classificados como de baixa toxicidade. Após a Lei dos Agrotóxicos (Lei 14.875/2023), o ritmo de registros aumentou, com 663 liberações em 2024 ante 555 em 2023. Dados do Ministério da Saúde, divulgados pela ONG Repórter Brasil, apontam 73.391 casos de intoxicação por agrotóxicos no período de 2015 a 2025, sendo 9.729 ocorrências apenas no último ano contabilizado.

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