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Economia2 min de leitura

Gabrielli publica documento que defende corte de juros sem austeridade

Divulgação ocorre em meio à apreensão do mercado; ministro da Fazenda descartou tabelamento da Selic

Por Redação Mastigado

Fonte: Poder360 · Ler matéria completa

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Resumo Mastigado

José Sérgio Gabrielli publicou o artigo 'Política fiscal para o fim de 2026 e para 2027', em que defende reduzir a taxa de juros por meio de ajuste progressivo de receitas e gastos, sem 'austeridade contra o próprio eleitor'. Ele apoia a proposta de André Lara Resende e diz não haver 'motivo para pânico' sobre a solvência; cita dívida líquida de 69,3% do PIB.
Gabrielli publica documento que defende corte de juros sem austeridade
Foto: Reprodução/Poder360

O documento foi divulgado em meio à apreensão do mercado financeiro sobre os rumos da política fiscal do próximo governo, após a dívida pública ter alcançado 82,9% do PIB em setembro, com alta de 11,2 pontos percentuais desde o início do terceiro mandato.

No artigo 'Política fiscal para o fim de 2026 e para 2027', o coordenador do programa de governo, José Sérgio Gabrielli, defende redução da taxa de juros por meio de ajuste progressivo de gastos e receitas, sem o que chama de 'austeridade contra o próprio eleitor'. O texto está disponível em PDF (469 kB).

Argumentos de Gabrielli

Gabrielli sustenta que não há correlação forte nas últimas décadas entre resultado primário e a curva da taxa de juros no Brasil e que elevar o superavit primário não seria, por si só, o caminho apropriado para derrubar os juros.

Proposta de Lara Resende

O artigo cita a proposta do economista André Lara Resende de criar um Conselho Fiscal e Monetário Nacional (CMN) com metas conjuntas de política fiscal e monetária por quatro a cinco anos. A sugestão prevê:

  • reduzir a Selic ao longo de cerca de 12 meses, inicialmente para aproximadamente 7,5% ao ano;
  • estabilizar a taxa posteriormente na faixa de 3% a 5,5% ao ano;
  • reformular a forma como o Banco Central define a Selic, hoje sem uma faixa de variação.

O mercado reagiu negativamente à ideia. No domingo, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o governo não discute adotar um tabelamento dos juros.

Gabrielli minimiza temores sobre a solvência do país: cita a dívida líquida, que desconta ativos financeiros, em 69,3% do PIB, afirma que 90% da dívida está denominada em moeda nacional e destaca a existência de reservas cambiais relevantes.

Entre as medidas prioritárias apontadas por ele estão a revisão de benefícios tributários considerados ineficientes, a análise de contratos públicos e a recuperação de créditos tributários de grandes contribuintes. Gabrielli defende que eventuais reduções de despesas não cortem o salário mínimo real, não restrinjam o acesso ao BPC ou ao Bolsa Família e não diminuam os pisos constitucionais da saúde e da educação.

Gabrielli foi presidente da Petrobras entre 2005 e 2012.

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