Gasto público
Um relatório macroeconômico do BTG Pactual, assinado por Mansueto Almeida e Samuel Pessôa, mostra que os gastos primários do governo federal devem crescer 21% em termos reais entre 2023 e 2026, praticamente o dobro da expansão projetada para a economia (11%). A diferença entre despesas e crescimento reforça a necessidade de contenção fiscal para reduzir pressões sobre os preços.
Juros no mundo
Na semana passada o Banco da Inglaterra elevou a taxa em 0,25 ponto percentual, até 4%, a primeira alta desde agosto de 2023, citando o agravamento do conflito no Oriente Médio, o avanço nos preços de energia e uma atividade doméstica mais forte. Nos Estados Unidos, o Federal Reserve manteve os juros entre 3,75% e 4,00% em outubro de 2026, em meio a um mercado de trabalho aquecido (desemprego em 4,1% em outubro e alta do salário médio por hora). O BCE manteve a taxa das operações principais em 2,65% e o Banco do Japão fixou juros em 1,25%, nível mais alto em três décadas.
Impacto para o Brasil
Quando as taxas sobem em economias desenvolvidas, ativos nessas praças ficam relativamente mais atraentes, o que pode reduzir entradas de dólares em mercados emergentes, pressionar a cotação do real e encarecer importações. Esses canais aumentam o risco inflacionário no Brasil e limitam o espaço para cortes da taxa básica.
Decisão do Copom e expectativas
O Banco Central decidiu em 4 de novembro manter a taxa básica em 13,75% após cinco reuniões em que promoveu cortes. Economistas consultados esperam que a taxa permaneça nesse patamar em dezembro.
O que dizem os economistas
Para Écio Costa, professor de Economia da UFPE, a atratividade dos títulos externos e o prêmio de risco exigido pelos investidores reduzem a margem do país para baixar juros. José Rolando de Souza, economista-chefe da Leme Consultores, destaca o desequilíbrio fiscal como o principal entrave, pois eleva o custo de financiamento e aumenta a incerteza para investidores.
Dívida e custo do financiamento
Dados do Tesouro e do Banco Central mostram que a participação das LFTs na dívida pública chegou a 52,74% em agosto de 2026 e foi de 51,60% em setembro (R$ 4,84 trilhões). A dívida bruta do governo geral estava em 82,9% do PIB no fim de outubro. Juros nominais em 12 meses somavam R$ 1,205 trilhão (8,99% do PIB) até setembro, e os juros pagos em setembro de 2026 foram de R$ 107,5 bilhões, equivalendo a 95,1% do déficit nominal do mês.
O assessor de investimentos Cristiano Henrique Luersen, sócio da Wiser/BTG Pactual, observa que a maior participação de títulos pós-fixados na dívida torna a conta sensível a altas da taxa: ele estima que cada alta de 1 ponto percentual na taxa básica, mantida por 12 meses, encareceria a dívida em cerca de R$ 48 bilhões por ano.
A combinação de pressões externas — conflito, energia e aperto monetário em países avançados — com fatores domésticos — expansão de gastos e elevação da dívida — tende a restringir o espaço para cortes mais rápidos da taxa básica. A redução sustentável dos juros dependerá de maior previsibilidade fiscal e do controle da inflação.



