Com doutorado e mestrado pela University of Illinois, Cavalcanti é professor titular em Cambridge e também leciona na Fundação Getúlio Vargas. No início do ano ele chegou a ser cotado para uma das diretorias vagas do Banco Central, vaga que aguardava indicação após a eleição.
Em entrevista à BBC News Brasil, o economista afirmou que não existem "atalhos" para equilibrar as contas públicas e que é essencial ancorar expectativas para evitar surtos de fuga de capital, desvalorização do câmbio e pressões sobre a inflação. Ele lembrou da experiência de 2003, quando compromissos antecipados ajudaram a reduzir incertezas.
Medidas práticas propostas
Cavalcanti recomendou que o governo anuncie rapidamente a equipe econômica, incluindo indicados para as diretorias do Banco Central, como sinal de compromisso com a solidez macroeconômica. Disse ser importante ouvir o mercado sem se tornar refém dele e preferir um ajuste gradual com metas críveis a um corte brusco de gastos no curto prazo.
Salário mínimo e impacto fiscal
Sobre o reajuste do salário mínimo, ele sugeriu limitar, temporariamente, os aumentos à reposição da inflação enquanto as contas não estiverem equilibradas. Cavalcanti apontou que o piso salarial impacta aposentadorias, pensões do INSS e benefícios como o BPC, e que essas despesas somam mais de 40% dos gastos primários da União.
Crítica à proposta de corte rápido da Selic
Ele se posicionou contra a proposta de André Lara Resende para reduzir a Selic de forma rápida, argumentando que não há evidência empírica sólida que sustente que isso resolveria o problema do custo da dívida e que movimentos desse tipo podem gerar instabilidade — citou a Turquia como exemplo de risco quando a taxa cai muito depressa por pressão política. Cavalcanti também mencionou casos internacionais recentes de reação negativa do mercado, embora tenha reconhecido que o Banco Central brasileiro tem mecanismos de defesa mais robustos.
O economista afirmou ainda que políticas sociais são fundamentais num país desigual, mas que a execução orçamentária precisa respeitar a realidade econômica. Segundo ele, combinar credibilidade fiscal com proteção social passa por escolhas graduais e por metas públicas críveis.



