Linus Carl Pauling tornou-se uma das figuras centrais da ciência moderna ao investigar como os átomos se combinam para formar moléculas. Autor de quase 700 trabalhos e vários livros, ele recebeu distinções de mais de cinquenta universidades e ganhou o Prêmio Nobel em duas ocasiões.
Principais contribuições científicas
- Resolveu o problema das ligações químicas, codificando forças que explicam a estabilidade de cristais e moléculas.
- Aplicou a técnica de difração de raios X para determinar posições e distâncias entre átomos, baseando-se também em princípios da mecânica quântica.
- Com Robert Corey, pesquisou proteínas por uma década e, em 1948, identificou a estrutura da hélice alfa, um dos elementos-chave da estrutura proteica.
- Estudou a hemoglobina e mostrou como uma anemia hereditária (falciforme) decorre de uma alteração na macromolécula.
Seu trabalho acadêmico e seu modo de transitar entre química, física, biologia e medicina marcaram-no como um cientista do tipo renascentista, capaz de abrir novas questões e estimular debates, mesmo quando suas ideias geravam controvérsia.
Ativismo e repercussões
Pauling levou sua influência além dos laboratórios: participou da campanha pelo fim dos testes atômicos na atmosfera e sofreu perseguições políticas durante o período macarthista nos EUA. Em 1973, criou o Instituto Linus Pauling de Ciência e Medicina, em Menlo Park, com cerca de 20 pesquisadores e um orçamento anual de aproximadamente 3,5 milhões de dólares, financiado majoritariamente por doações privadas — entre os doadores estava o empresário Armand Hammer.
A polêmica da vitamina C
Nas últimas décadas de sua carreira, Pauling passou a defender o uso em larga escala da vitamina C (ácido ascórbico), recomendando doses bem superiores às oficiais e afirmando que a vitamina poderia prevenir gripes e até ajudar no combate ao câncer. Essas teses, defendidas também em colaboração com Ewan Cameron, atraíram tanto apoiadores quanto críticos, e foram consideradas não suficientemente demonstradas por parte da comunidade científica — a Academia Nacional de Ciências chegou a recusar a publicação de um de seus artigos sobre o tema.
Pauling, que dizia tomar doses pessoais altas de vitamina C e atribuía parte de sua vitalidade a isso, manteve sua posição apesar da controvérsia, argumentando que a ciência da nutrição precisava incorporar avanços da bioquímica e da biologia molecular.
Ao longo da vida, relatos destacam sua personalidade curiosa e ativa: nas vésperas de completar 88 anos, continuava a frequentar seu instituto e a declarar prazer em descobrir e entender o mundo. Suas ideias e descobertas, mesmo quando contestadas, impulsionaram pesquisas e debates que influenciaram diferentes campos científicos.



