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Curiosidades3 min de leitura

Linus Pauling, dois Nobel, ligações químicas e a polêmica da vitamina C

Pioneiro da biologia molecular, Pauling explicou as ligações químicas e a hélice alfa, atuou contra testes atômicos e virou defensor da vitamina C — tese contestada pela comunidade.

Por Redação Mastigado

Fonte: Superinteressante · Ler matéria completa

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Resumo Mastigado

Linus Pauling foi um dos cientistas mais influentes do século XX: ganhou dois Prêmios Nobel, formulou princípios sobre ligações químicas, descobriu a hélice alfa em proteínas, participou do movimento contra testes atômicos e defendeu o uso massivo de vitamina C — posição ainda contestada por falta de comprovação suficiente.
Linus Pauling, dois Nobel, ligações químicas e a polêmica da vitamina C

Linus Carl Pauling tornou-se uma das figuras centrais da ciência moderna ao investigar como os átomos se combinam para formar moléculas. Autor de quase 700 trabalhos e vários livros, ele recebeu distinções de mais de cinquenta universidades e ganhou o Prêmio Nobel em duas ocasiões.

Principais contribuições científicas

  • Resolveu o problema das ligações químicas, codificando forças que explicam a estabilidade de cristais e moléculas.
  • Aplicou a técnica de difração de raios X para determinar posições e distâncias entre átomos, baseando-se também em princípios da mecânica quântica.
  • Com Robert Corey, pesquisou proteínas por uma década e, em 1948, identificou a estrutura da hélice alfa, um dos elementos-chave da estrutura proteica.
  • Estudou a hemoglobina e mostrou como uma anemia hereditária (falciforme) decorre de uma alteração na macromolécula.

Seu trabalho acadêmico e seu modo de transitar entre química, física, biologia e medicina marcaram-no como um cientista do tipo renascentista, capaz de abrir novas questões e estimular debates, mesmo quando suas ideias geravam controvérsia.

Ativismo e repercussões

Pauling levou sua influência além dos laboratórios: participou da campanha pelo fim dos testes atômicos na atmosfera e sofreu perseguições políticas durante o período macarthista nos EUA. Em 1973, criou o Instituto Linus Pauling de Ciência e Medicina, em Menlo Park, com cerca de 20 pesquisadores e um orçamento anual de aproximadamente 3,5 milhões de dólares, financiado majoritariamente por doações privadas — entre os doadores estava o empresário Armand Hammer.

A polêmica da vitamina C

Nas últimas décadas de sua carreira, Pauling passou a defender o uso em larga escala da vitamina C (ácido ascórbico), recomendando doses bem superiores às oficiais e afirmando que a vitamina poderia prevenir gripes e até ajudar no combate ao câncer. Essas teses, defendidas também em colaboração com Ewan Cameron, atraíram tanto apoiadores quanto críticos, e foram consideradas não suficientemente demonstradas por parte da comunidade científica — a Academia Nacional de Ciências chegou a recusar a publicação de um de seus artigos sobre o tema.

Pauling, que dizia tomar doses pessoais altas de vitamina C e atribuía parte de sua vitalidade a isso, manteve sua posição apesar da controvérsia, argumentando que a ciência da nutrição precisava incorporar avanços da bioquímica e da biologia molecular.

Ao longo da vida, relatos destacam sua personalidade curiosa e ativa: nas vésperas de completar 88 anos, continuava a frequentar seu instituto e a declarar prazer em descobrir e entender o mundo. Suas ideias e descobertas, mesmo quando contestadas, impulsionaram pesquisas e debates que influenciaram diferentes campos científicos.