As observações detalhadas mostram que as estruturas não são faixas contínuas de gás, mas sequências de pequenos aglomerados, semelhantes a pérolas enfileiradas. Cada um desses aglomerados tem escala suficiente para conter, com folga, a região planetária do Sistema Solar multiplicada por dez.
O que as imagens revelaram
Os registros recentes, obtidos com equipamentos de grande porte, identificaram cerca de dez vezes mais desses aglomerados do que imagens anteriores. As diferenças de cor entre as regiões permitem distinguir gases ionizados em comprimentos de onda distintos, revelando estruturas muito mais detalhadas do que se conhecia até então.
Onde fica e por que interessa
O remanescente, chamado Pa 30, está a cerca de 7.500 anos-luz da Terra. As novas imagens foram feitas pelo telescópio Gemini North e mostram filamentos de enxofre ionizado em tons avermelhados e de oxigênio ionizado em tons azul-esverdeados, o que ajudou a mapear com maior precisão a distribuição do material expelido.
Origem provável e enigmas
Os pesquisadores associam Pa 30 a uma supernova do tipo Iax — um tipo raro e menos energético, cuja explosão pode ser incompleta e deixar uma estrela remanescente, apelidada de "estrela zumbi". A hipótese principal é que o evento tenha resultado da colisão de duas anãs brancas.
Um ponto que surpreende a equipe é a posição da estrela sobrevivente: ela permanece praticamente no centro da nuvem de destroços, apesar de a dinâmica de explosões assimétricas normalmente impulsionar remanescentes para longe. Medições colocaram um limite superior muito baixo para a velocidade transversal da estrela, o que dificulta explicações simples.
Os autores do estudo dizem que querem usar as características observadas em Pa 30 para procurar outros remanescentes do tipo Iax na Via Láctea e em galáxias vizinhas. Novos levantamentos e telescópios mais potentes deverão ajudar a identificar objetos semelhantes e a testar modelos que expliquem a formação dos aglomerados regulares.



