A edição deste ano do Novembro Roxo, em colaboração com a Organização Mundial da Saúde e entidades dedicadas à prematuridade, tem o slogan: "Prematuro: pequeno no tamanho, grande no potencial. Investir no acompanhamento pós-alta é proteger o futuro". A proposta é ampliar o foco além da sobrevivência neonatal, valorizando o seguimento clínico e o acesso a serviços após a saída do hospital.
Denise Suguitani, diretora executiva da ONG Prematuridade.com, afirma que a discussão precisa avançar para o período após a alta. Segundo ela, famílias seguem precisando de orientação, acesso a especialistas e apoio para acompanhar o desenvolvimento da criança.
Dados sobre internações e readmissões
Levantamento com dados da DRG Brasil, do Grupo IAG Saúde, identificou 75.301 internações relacionadas ao nascimento de bebês prematuros entre janeiro de 2022 e junho de 2026. Dessas internações, 53,7% envolveram necessidade de cuidados intensivos.
A permanência média no hospital foi de 15,2 dias, mas variou conforme a idade gestacional: entre os nascidos com menos de 28 semanas a média subiu para 49,4 dias. O levantamento registrou pelo menos 1.789 readmissões nos primeiros 30 dias de vida, associadas principalmente a icterícia (69,4%), problemas alimentares (9,8%) e doenças respiratórias.
O que estudos mostram
Um estudo de pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais, publicado em 2024, acompanhou 34 crianças prematuras em um programa híbrido de avaliação até 12 meses de idade corrigida. Entre elas, 18 apresentaram pelo menos um resultado alterado nos testes de desenvolvimento e foram encaminhadas para intervenção precoce.
A pediatra e neonatologista Rita Silveira, professora da Faculdade de Medicina da UFRGS, descreve a alta da UTI neonatal como um momento de ambivalência: alegria pela saída da internação e, ao mesmo tempo, medo dos cuidados que virão. Para ela, o organismo dessas crianças ainda está em formação, o que torna essenciais o acompanhamento do crescimento, da alimentação, da respiração e do desenvolvimento neurológico.
Quais cuidados são necessários após a alta
- Monitoramento do crescimento e ganho de peso;
- Avaliação e suporte à alimentação e ganho nutricional;
- Acompanhamento do desenvolvimento neurológico e motor;
- Controle de problemas respiratórios e vigilância de infecções;
- Acesso a especialistas e programas de intervenção precoce quando necessário.
O relato de famílias mostra desafios práticos para manter esse acompanhamento. A mãe de Alícia Vitória, nascida com 27 semanas, contou que precisou viajar mais de 250 quilômetros para consultas e que, nos primeiros anos, as visitas médicas eram mensais para avaliação e ajustes de medicação após suspeita de hiperplasia adrenal congênita.
Além do suporte clínico, a campanha enfatiza a importância de oferecer às famílias informação confiável e redes de apoio para reduzir deslocamentos e facilitar o acesso contínuo aos serviços de saúde.



