É comum ler que o Ozempic é feito com veneno de lagarto. A história real é diferente e mais interessante: o monstro de Gila, réptil do deserto do sudoeste dos EUA e do México, ajudou a abrir caminho para uma classe inteira de medicamentos, mas o princípio ativo do Ozempic é outro.
O que a ciência encontrou no monstro de Gila
Na década de 1990, pesquisadores identificaram na saliva do lagarto uma substância chamada exendina-4. Ela imita o GLP-1, hormônio que o intestino libera depois das refeições. Esse hormônio estimula o pâncreas a produzir insulina, reduz a produção de glicose pelo fígado e dá sensação de saciedade. A vantagem da exendina-4 é durar muito mais no organismo do que o hormônio humano, que é degradado em poucos minutos.
Da exendina-4 ao Ozempic
A descoberta levou ao desenvolvimento da exenatida, aprovada nos Estados Unidos em 2005 para o tratamento do diabetes tipo 2. Foi o primeiro medicamento da classe dos agonistas do GLP-1. Depois vieram outras versões, como a liraglutida e a semaglutida, princípio ativo do Ozempic. A semaglutida é desenhada a partir do GLP-1 humano, com modificações que prolongam seu efeito, e não é extraída de veneno.
Para que servem esses remédios
O Ozempic é indicado para o diabetes tipo 2. Medicamentos com a mesma base também são usados no tratamento da obesidade, com marcas e doses próprias. Todos exigem indicação e acompanhamento médico e podem causar efeitos colaterais, como náusea.
Por que a história importa
O caso é um exemplo clássico de como substâncias da natureza podem inspirar a medicina moderna. O veneno em si não virou remédio de prateleira: o que importou foi entender o mecanismo, que cientistas depois aperfeiçoaram em laboratório. Dúvidas sobre uso, dose e riscos devem ser tiradas com médico ou farmacêutico.



