As eleições legislativas dos Estados Unidos ocorrem num momento de expansão dos chamados mercados de previsão, plataformas nas quais usuários apostam dinheiro em desfechos de eventos — incluindo disputas eleitorais. Especialistas dizem que a presença dessas estimativas no noticiário pode influenciar a percepção pública sobre os votos.
Como funcionam os mercados de previsão
Plataformas desse tipo permitem que usuários negociem contratos cujo valor varia conforme a probabilidade de um evento ocorrer. Em muitos casos, sites e perfis nas redes sociais divulgaram essas probabilidades junto à cobertura eleitoral, ampliando o alcance das estimativas.
Riscos apontados por especialistas
Pesquisadores e autoridades chamam atenção para o fato de que as percentagens exibidas nas plataformas representam estimativas de mercado, não resultados oficiais. Davina Hurt, diretora de ética governamental do Centro Markkula de Ética Aplicada da Universidade de Santa Clara, observa que expectativas financeiras podem pesar mais na cabeça do público do que os votos.
A Kalshi afirmou que suas informações diferem das pesquisas tradicionais e reconheceu que probabilidades não garantem um resultado. Elisabeth Diana, diretora de comunicação da empresa, disse à AFP que a plataforma deve ser vista como um complemento às pesquisas e que tentativas de manipulação tenderiam a ser compensadas por negociações de outros usuários.
Casos e medidas
Um episódio nas primárias para a Prefeitura de Los Angeles exemplificou os riscos: após a derrota de um candidato, publicações e influenciadores citaram estimativas de mercados de previsão como se fossem indicativos seguros, fazendo acusações de fraude. Michael Sánchez, porta‑voz do Escritório de Registro Eleitoral do Condado de Los Angeles, disse que a primária mostrou como expectativas podem ser confundidas com resultados.
Em documento obtido pela AFP, a Kalshi orientou parceiros a não questionarem resultados oficiais sem fundamentos e avisou que romperá contratos com quem fizer acusações sem provas de manipulação. A Polymarket não respondeu a pedidos de comentário, segundo a reportagem.
Autoridades eleitorais estaduais também reagiram: Jared DeMarinis, responsável pela administração das eleições em Maryland, proibiu mesários de apostar em resultados e pediu avaliação legal sobre a atividade no estado, afirmando que envolver dinheiro nas apostas só aumenta o risco de se questionar a legitimidade do resultado.
No Brasil, uma resolução do Conselho Monetário Nacional de maio de 2026 proibiu a oferta de contratos vinculados a resultados eleitorais e outros eventos políticos, o que levou ao bloqueio de plataformas semelhantes no país.



