Pular para o conteúdo

Curiosidades2 min de leitura

Sete fósseis na China revelam como viviam os denisovanos

Achados em Yunnan incluem o primeiro fragmento de braço da espécie e mostram práticas de caça entre 167 mil e 134 mil anos atrás

Por Redação Mastigado

Fonte: Superinteressante · Ler matéria completa

Compartilhar

Resumo Mastigado

Sete fósseis identificados como denisovanos — entre eles o primeiro fragmento conhecido do rádio (osso do antebraço) — indicam que esses hominídeos, entre 167 mil e 134 mil anos atrás, eram caçadores habilidosos que usavam ferramentas simples de pedra e osso.
Sete fósseis na China revelam como viviam os denisovanos
Foto: Yousuke Kaifu via Nature Articles/Reprodução

Uma escavação na Caverna Bianfu, em Yunnan (sudoeste da China), revelou sete fósseis agora identificados como denisovanos e um conjunto significativo de artefatos. Os achados surgiram em 2019 durante trabalhos de restauração em uma pedreira e vêm sendo estudados por arqueólogos desde então.

Quais fósseis foram encontrados

  • Quatro dentes
  • Dois fragmentos de crânio
  • Um pedaço de rádio (osso do antebraço) — o primeiro vestígio conhecido do braço da espécie

Como o DNA não foi preservado, os pesquisadores identificaram a espécie por meio da análise de proteínas dos fósseis. Essa identificação permitiu reconhecer os vestígios como denisovanos e estabelecer parte do quadro sobre sua biologia e comportamento.

Ferramentas e evidências de caça

No sítio foram encontradas ferramentas de osso e lascas de pedra, com fabricação simples — poucos golpes para uso imediato em vez de peças longamente trabalhadas. Apesar da tecnologia pouco sofisticada, a caverna contém muitos ossos de mamíferos de médio e grande porte, como veados e búfalos-asiáticos.

Os restos mostram sinais de processamento, inclusive retirada de medula óssea, o que indica que os ocupantes sabiam extrair partes nutritivas das presas. Esses elementos sugerem estratégias de caça mais complexas do que o formato rudimentar das ferramentas poderia antecipar.

Os fósseis aparecem em camadas datadas, segundo os autores, entre 167 mil e 134 mil anos atrás. As ferramentas foram recuperadas em níveis cuja idade varia de 190 mil a 70 mil anos, o que aponta para uma ocupação do local que pode ter se estendido até cerca de 120 mil anos; porém, não é possível afirmar que todas as ferramentas foram produzidas pelos denisovanos.

“Este sítio arqueológico é significativo porque reúne fósseis, tecnologias e estratégias de subsistência em um único e longo registro estratificado”, diz Bo Li, professor da Universidade de Wollongong e coautor do estudo.

Publicados em dois artigos na revista Nature, os resultados ampliam o registro arqueológico dos denisovanos no Leste Asiático e oferecem evidências diretas de como esse grupo se adaptou ao ambiente e às oportunidades de subsistência da região, complementando informações anteriormente obtidas apenas por genética e achados isolados.