O estudante é transgênero e, segundo a mãe, nunca havia sofrido transfobia na escola. Após as mensagens de ódio, ele passou a semana sem frequentar as aulas e teme voltar.
Nos áudios e mensagens que circularam no grupo da turma, o agressor afirma: "Eu juro que amanhã se você for para a escola você não volta vivo". Antes da ameaça de morte, ele diz: "você votou foi no Lula, seu esquerdista desgraçado". Em outra mensagem, escreveu que se o candidato Flávio Bolsonaro perdesse iria espancar cinco colegas — "só na faca" — e proferiu ofensas de cunho religioso. Um outro adolescente curtiu as mensagens e enviou figurinhas de risadas.
A mãe do estudante, identificada como Aline (nome fictício), diz que a família ficou surpresa com as mensagens por motivos políticos. "A ideologia está afetando o discernimento dos jovens. Os adultos não conseguem lidar com as frustrações e ficam violentos e os jovens acabam absorvendo isso, transformam também a frustração em ódio", afirmou.
A família ainda não registrou boletim de ocorrência por medo de exposição e retaliação ao adolescente. Por causa das agressões, ele deixou de ir à escola durante a semana e teme retornar na segunda-feira.
Segundo a mãe, a direção da escola informou que o aluno que enviou os áudios e mensagens foi transferido para outra instituição e o estudante que concordou com as publicações foi suspenso por quatro dias.
Na última semana, redes sociais tiveram relatos de uma série de casos de violência contra crianças e adolescentes relacionados a opções políticas, que variaram de ofensas verbais a ameaças de morte e agressões físicas.



