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Estudo do Inpe mostra que Amazônia emite mais CO₂ do que absorve

Fumaça atingiu Manaus, suspendeu aulas e sobrecarregou hospitais; pesquisa também registra queda das chuvas e aumento das temperaturas na região

Por Redação Mastigado

Fonte: Poder360 · Ler matéria completa

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Resumo Mastigado

Pesquisa liderada por cientistas do Inpe e publicada na Nature indica que, entre 2010 e 2024, a Amazônia emitiu em média mais CO₂ do que absorveu: queimadas liberaram cerca de 1,47 bilhão de toneladas por ano, ante absorção de ~300 milhões t/ano. O estudo alerta que reduzir queimadas, zerar o desmatamento e restaurar florestas é essencial para evitar um ponto de não retorno do bioma.
Estudo do Inpe mostra que Amazônia emite mais CO₂ do que absorve
Foto: Sérgio Lima/Poder360

A análise de dados de longo prazo mostra alterações climáticas significativas na região: a precipitação anual caiu cerca de 8% e, no pico da estação seca (agosto a outubro), a redução chegou a 20%. A temperatura média anual aumentou 1,13 °C e a elevação na estação seca foi de 1,81 °C.

Como foi o estudo

Os pesquisadores usaram 15 anos de medições atmosféricas de carbono (2010–2024), conduzidas por voos e por análises no Laboratório de Gases de Efeito Estufa do Inpe, combinadas com dados de desmatamento, queimadas, precipitação, temperatura do ar e indicadores da superfície do mar. O trabalho foi publicado em 21 de outubro de 2026 na revista Nature e recebeu financiamento da Fapesp e de outras instituições.

Principais resultados

  • As queimadas foram identificadas como a principal fonte de emissões: cerca de 1,47 bilhão de toneladas de CO₂ por ano, em média.
  • A capacidade de absorção da vegetação ficou em torno de 300 milhões de toneladas de CO₂ por ano.
  • A análise por cenários mostrou que, nos períodos com maior desmatamento e secas, o balanço médio de carbono alcançou 1,58 a 1,8 bilhão de toneladas de CO₂ por ano, transformando a Amazônia de estocadora em fonte líquida de carbono.
  • Descontadas as emissões das queimadas, a troca líquida de carbono da vegetação permaneceu próxima da neutralidade, o que deixa pouca margem para compensar os gases liberados pelo fogo.

Segundo a coordenadora do LaGEE do Inpe, Luciana Vanni Gatti, a principal mensagem é que a ação humana responde pelo problema: o modelo de desenvolvimento baseado na destruição está fazendo a floresta perder capacidade de se manter. Ela afirma que é necessário adotar políticas que valorizem a floresta em pé.

O estudo também relaciona degradação e desmatamento a um ciclo de retroalimentação: perda de vegetação reduz chuvas e eleva temperaturas, favorecendo novas queimadas e ampliando a degradação.

Os impactos já se refletem em saúde pública e serviços: nos primeiros dez meses de 2026 houve mais de 41.300 focos de incêndio (58% concentrados em setembro e outubro), quase igualando os 43.130 registros de todo o ano anterior. A fumaça densa cobriu municípios do Amazonas, especialmente Manaus, levando à suspensão de aulas, à sobrecarga de unidades de saúde por problemas respiratórios e à investigação de possíveis crimes ambientais.

Próximos passos e financiamento

O grupo continua a pesquisa, incluindo uma fase iniciada em 2022 que usa o sulfeto de carbonila (COS) como traçador da fotossíntese para medir melhor a capacidade de absorção das árvores. Os autores destacam a importância de financiamento contínuo para pesquisas de longo prazo, citando apoio da Fapesp e bolsas a pesquisadores envolvidos no estudo.

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