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Curiosidades3 min de leitura

Colisões estelares primordiais podem explicar 'Little Red Dots' e buracos negros supermassivos

Os objetos compactos vistos pelo JWST teriam nascido em aglomerados caóticos que se estabilizaram antes de 2 bilhões de anos; estudo saiu no Astrophysical Journal em 26 de outubro.

Por Redação Mastigado

Fonte: Space.com · Ler matéria completa

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Resumo Mastigado

Simulações indicam que, no universo primordial, aglomerados estelares muito densos sofreram fusões repetidas: colisões lentas permitiram a formação de estrelas ultramassivas que, ao colapsarem, geraram buracos negros de massa intermediária — possíveis sementes dos supermassivos e alternativa para explicar os 'Little Red Dots' detectados pelo JWST.
Colisões estelares primordiais podem explicar 'Little Red Dots' e buracos negros supermassivos
Foto: Robert Lea

Pesquisadores executaram simulações da dinâmica estelar no início do cosmos e encontraram aglomerados tão compactos que as estrelas interagiam fisicamente com frequência. Essas interações têm resultados distintos: colisões de alta velocidade tendem a destruir as estrelas, enquanto encontros mais lentos favorecem fusões sucessivas que aumentam a massa de um mesmo objeto.

Fusões repetidas e estrelas gigantes

Nos modelos, repetidas fusões dentro de um mesmo aglomerado podem resultar na formação de uma única estrela gigantesca, com massa equivalente à soma de várias estrelas do grupo. "Talvez o resultado mais estranho de nossas simulações seja que as estrelas podem se fundir repetidamente até formar uma única estrela gigantesca com massa igual à de um aglomerado inteiro", disse Claire Williams, da UCLA. Quando uma estrela assim atinge o fim de sua vida, os modelos indicam que ela pode colapsar diretamente em um buraco negro muito maior que o habitual.

Do stellar-mass aos gigantes supermassivos

Em condições normais, o colapso de uma estrela massiva gera um buraco negro com massa entre cerca de 10 e 100 vezes a do Sol. Buracos negros supermassivos, por outro lado, têm massas de milhões a bilhões de sóis. Entre esses extremos existem os chamados buracos negros de massa intermediária, com massas entre ~100 e 100.000 vezes a do Sol; segundo a equipe, fusões em aglomerados primordiais criariam justamente esses alvos intermediários, que funcionariam como sementes para crescimento acelerado.

Ligação com os "Little Red Dots"

O telescópio James Webb vem identificando objetos muito compactos e avermelhados no universo distante, apelidados de "Little Red Dots". Há propostas diversas para sua natureza; a nova pesquisa sugere que muitos deles sejam aglomerados estelares caóticos onde as colisões e fusões descritas acima estariam em curso, levando à formação de buracos negros intermediários. "Nossa pesquisa conecta várias perspectivas e pode ajudar a ver mais do 'elefante' que é o Little Red Dot", afirmou Smadar Naoz, também da UCLA.

Os modelos ajudam a explicar por que esses pontos vermelhos parecem desaparecer antes que o universo complete 2 bilhões de anos: à medida que o cosmos se expande e esfria, as regiões caóticas de formação estelar se reorganizam em estruturas mais estáveis, tornando menos provável a sequência de fusões que gerou as estrelas ultramassivas.

Os autores também destacam que ambientes do universo atual, como núcleos galácticos já dominados por buracos negros supermassivos, não replicam esse processo: a gravidade forte acelera as estrelas em órbita, tornando colisões mais rápidas e destrutivas, em vez de produtivas para fusões graduais.

A pesquisa foi publicada em 26 de outubro no Astrophysical Journal.

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