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Curiosidades2 min de leitura

Fóssil brasileiro de 115 milhões de anos pode ter vestígios de sangue

As estruturas foram mineralizadas por hausmannita; alguns especialistas dizem que formato e ausência de marca nuclear colocam a hipótese em dúvida

Por Redação Mastigado

Fonte: Superinteressante · Ler matéria completa

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Resumo Mastigado

Pesquisadores afirmam ter encontrado, no osso de uma perna do dinossauro Aratasaurus museunacionali, estruturas mineralizadas compatíveis com glóbulos vermelhos e detectaram heme em testes químicos. O achado, publicado na PNAS, sugere resquícios de sangue, mas encontra ceticismo entre especialistas.
Fóssil brasileiro de 115 milhões de anos pode ter vestígios de sangue
Foto: David Clode/Unsplash

O osso analisado foi preservado após o corpo afundar em um ambiente aquático onde uma camada microbiana cobriu a carcaça, processo que ajudou a proteger restos biológicos frágeis durante a fossilização. Para o paleontólogo Alexander Kellner, diretor do Museu Nacional da UFRJ e coautor do estudo, encontrar vestígios bioquímicos em fósseis tão antigos amplia a compreensão do que pode ser preservado além da anatomia óssea.

Em exames ao microscópio, a equipe encontrou numerosas microestruturas dentro de canais vasculares do osso, com forma e tamanho compatíveis com glóbulos vermelhos. Testes químicos indicaram presença de heme, componente da hemoglobina. A pesquisadora Kliti Grice, autora do estudo, explicou à Live Science que as estruturas foram mineralizadas com hausmannita (um óxido de manganês), um processo que pode ter estabilizado ou replicado detalhes biológicos antes da decomposição complete.

Por que a descoberta é controversa

Nem todos os especialistas concordam que os achados sejam vestígios de sangue. A paleontóloga Mary Schweitzer, da Universidade Estadual da Carolina do Norte (EUA), argumenta que as formas não correspondem ao aspecto esperado de glóbulos vermelhos em animais não mamíferos, que retêm núcleo e deixam marca característica. Ela aponta ainda que minerais ou restos microbianos podem imitar formatos celulares ao serem observados ao microscópio.

Os autores respondem que não encontraram sinais esperados de fungos ou biofilmes — como filamentos e esporos — que sustentariam uma explicação microbiana, e defendem que a mineralização precoce e aspectos químicos preservados fortalecem a interpretação de origem biológica.

O fóssil pertence a um Aratasaurus museunacionali encontrado na Chapada do Araripe e vem sendo estudado desde 2008. A peça sobreviveu ao incêndio de 2018 no Museu Nacional da UFRJ; seu nome chega a ser ligado a essa história, significando "lagarto nascido do fogo". Os autores dizem ver a controvérsia como saudável para o avanço das investigações, que agora dependem de novas análises e da avaliação da comunidade paleontológica.

O estudo foi publicado na Proceedings of the National Academy of Sciences e teve liderança de pesquisadores da Universidade Curtin, com participação da Universidade Regional do Cariri (URCA) e da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

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