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Curiosidades3 min de leitura

Estudo mostra que fogo e desmatamento transformaram Amazônia em fonte líquida de CO2

Pesquisa relaciona perda de absorção a menor chuva, aumento de temperatura e a um ciclo que favorece novas queimadas

Por Redação Mastigado

Fonte: Superinteressante · Ler matéria completa

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Resumo Mastigado

Entre 2010 e 2024 a Amazônia liberou, em média anual, 1,17 bilhão de toneladas de CO2 a mais do que absorveu. Pesquisa do Inpe publicada na Nature identifica as queimadas como principal fonte (c. 1,47 bi tCO2/ano), alerta para risco de 'ponto de não retorno' e defende desmatamento zero.
Estudo mostra que fogo e desmatamento transformaram Amazônia em fonte líquida de CO2
Foto: Bruno Kelly/Amazônia Real via Flickr CC BY-NC-SA 2.0/Reprodução

A fumaça das queimadas atingiu áreas urbanas da região Norte, provocando suspensão de aulas, aumento de atendimentos por problemas respiratórios e investigações por suspeita de ação humana deliberada.

O que o estudo mostrou

O trabalho, liderado por cientistas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e publicado na revista Nature, conclui que a floresta deixou de ser um sumidouro de carbono e passou a liberar mais CO2 do que absorve. Em média anual, entre 2010 e 2024, o déficit foi de 1,17 bilhão de toneladas de CO2. As queimadas responderam por cerca de 1,47 bilhão de toneladas de CO2 por ano, enquanto a capacidade de absorção da vegetação foi estimada em aproximadamente 300 milhões de toneladas por ano.

Por que isso acontece

Os autores atribuem o desequilíbrio principalmente a atividades humanas — desmatamento e queimadas — que reduzem a vegetação e, com isso, a fotossíntese. O estudo alerta que a combinação entre perda de cobertura florestal e eventos climáticos extremos pode levar a um ciclo de retroalimentação: menos vegetação reduz chuva e eleva temperatura, favorecendo novas queimadas e ampliando a degradação.

Dados climáticos e cenários

A análise também mostra alterações climáticas locais associadas ao desmatamento: redução média anual da precipitação e aumento das temperaturas, com piora durante a estação seca. Os pesquisadores agruparam os anos em três cenários (anos chuvosos, anos com baixo estresse climático e aumento do desmatamento, e anos quentes e secos) e encontraram balanços médios de emissões ainda maiores nos dois últimos grupos, reforçando o papel combinado de clima e pressão humana.

Como foi feita a pesquisa

Os resultados vieram da combinação de medições atmosféricas de carbono obtidas entre 2010 e 2024, voos em aviões de pequeno porte e análises de monóxido de carbono (CO), integradas a dados de desmatamento, queimadas, precipitação e temperatura da superfície do mar. A metodologia já havia produzido artigos anteriores que indicavam tendência de perda de capacidade de absorção em áreas mais desmatadas.

Os autores recomendam redução drástica das queimadas, política de desmatamento zero e restauração florestal para evitar que a floresta atinja um ponto de não retorno — um limiar a partir do qual perde a capacidade de se manter e de se regenerar. O grupo também desenvolve estudos complementares usando o sulfeto de carbonila (COS) como traçador da fotossíntese para entender se a queda na absorção se deve a menor fotossíntese, maior decomposição ou à ação humana sobrepondo-se à capacidade natural da vegetação.

O estudo recebeu financiamento da FAPESP e de outras instituições e reforça a necessidade de investimentos contínuos em pesquisa de longo prazo para subsidiar políticas de conservação.

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