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Economia3 min de leitura

Governo renova subsídio ao diesel; alta pressiona frete e agronegócio

Benefício de R$ 2,12 por litro foi prorrogado por 30 dias; dependência de importações (cerca de 20% do consumo) e alta do petróleo elevam custos de produção e transporte

Por Redação Mastigado

Fonte: g1 · Ler matéria completa

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Resumo Mastigado

O governo prorrogou por 30 dias o subsídio de R$ 2,12 por litro ao diesel. A alta do petróleo, a desvalorização do real e o fato de o país importar cerca de 20% do diesel elevam o custo do frete, pressionam a produção agrícola e podem subir preços dos alimentos.
Governo renova subsídio ao diesel; alta pressiona frete e agronegócio
Foto: g1

O preço do diesel no país subiu no começo de outubro: o diesel comum avançou 6,67% na primeira quinzena, para média de R$ 7,20 por litro, e o S-10 ficou 5,07% mais caro, alcançando R$ 7,46, segundo o Índice de Preços Edenred Ticket Log (IPTL). Em relação a janeiro, o diesel comum acumula alta de 15,2%. Os valores variam entre regiões — no Norte a média do diesel comum era R$ 7,75, enquanto no Sul e Sudeste a média ficava em R$ 6,97; em Roraima e no Acre foram registrados preços acima de R$ 8 em alguns postos.

Por que o Brasil precisa importar diesel?

Produção e consumo mostram folga: no primeiro semestre de 2026 o país consumiu 213,2 milhões de barris de diesel, enquanto a produção nacional foi de 154,8 milhões de barris e as importações somaram 43,5 milhões — o equivalente a 20,4% do consumo no período, segundo a ANP. Embora a produção da Petrobras tenha crescido em parte do ano, a capacidade de refino doméstico não cobre totalmente a demanda. Vendas de refinarias da estatal para privadas nos anos recentes contribuíram para essa dependência.

Impacto no agronegócio e no frete

O diesel é usado em máquinas agrícolas e no transporte da produção. Com o combustível mais caro, aumentam os custos do frete e da própria produção, o que pode reduzir margens ou ser repassado, parcial ou gradualmente, aos preços dos alimentos. Agricultores do Rio Grande do Sul já expressaram preocupação com risco de falta às vésperas do plantio. Paulo Feldmann, da FEA-USP, resume: “O Brasil perde muito no transporte, que é o que mais afeta o custo.”

Subsídio alivia, mas tem limites

O governo prorrogou por 30 dias o subsídio ao diesel, mantendo o desconto em R$ 2,12 por litro, numa tentativa de conter o impacto da alta dos preços internacionais do petróleo — o barril Brent esteve entre US$ 100 e US$ 106 na primeira quinzena de outubro e chegou a US$ 113,17 no dia 22. Além da alta do petróleo, a desvalorização do real também pressiona o custo das importações.

Analistas apontam que o subsídio pode reduzir repasses imediatos ao consumidor, mas tem limites fiscais. Murilo Viana lembra que preços internos mantidos artificialmente abaixo dos internacionais podem desincentivar importações privadas, transferindo pressão de abastecimento para a Petrobras ou criando risco de desabastecimento se importadores recuarem.

O que reduziria a vulnerabilidade

Especialistas defendem como soluções de médio e longo prazo a ampliação e modernização do parque de refino nacional, maiores investimentos em transporte ferroviário para reduzir a dependência das rodovias e aumento da produção de insumos estratégicos, como fertilizantes. Essas medidas, dizem, tornariam o país menos exposto a choques do preço do petróleo e à oscilação do câmbio.