Muitos médicos deixam de considerar a perimenopausa em pacientes nos 30 e 40 anos porque exames de sangue podem parecer normais em um dia mesmo quando os hormônios variam de semana a semana. Isso atrasa o diagnóstico e o tratamento, diz a obra.
No livro, a autora — que se especializou em transições hormonais femininas após perceber lacunas na formação médica — defende que a forma como lidamos com as mudanças hormonais influenciará a saúde nas décadas seguintes. Ela afirma que hoje as mulheres passam cerca de 30% da vida na pós-menopausa.
Quais sintomas foram listados
- Ondas de calor e suores noturnos
- Fadiga, falta de energia e distúrbios do sono
- Alterações de humor, confusão mental e perda de memória
- Alterações na pele e acne; mudanças no odor corporal
- Queda da libido e dificuldades na vida sexual
- Sensações de choque elétrico, zumbido (acufeno) e vertigem
A autora inclui 34 sintomas no total e chama atenção para sinais menos conhecidos: há receptores de estrogênio no ouvido interno, por exemplo, o que pode explicar zumbido ou vertigem quando os níveis hormonais caem.
Hirsch dedica um capítulo a mitos sobre a perimenopausa. Ela aponta que o medo da terapia de reposição hormonal (TRH) se enraizou após um estudo de 2002 com falhas metodológicas que associou TRH a maior risco de câncer de mama, e que as consequências desse receio ainda são sentidas na prática clínica.
Ao mesmo tempo, a autora detalha contraindicações claras para a reposição, como câncer de mama ativo ou recente, trombose espontânea, infarto recente e doença hepática em estágio terminal, mas ressalta que histórico pessoal ou familiar de câncer de mama não é, hoje, um impedimento absoluto em todas as situações.
Sobre a saúde sexual, o livro lembra que hormônios são apenas parte do quadro: estresse, trabalho de cuidado, finanças e a dinâmica de relacionamento também afetam a libido. Entre as recomendações práticas estão autoestimulação, uso de lubrificantes, exercícios para o assoalho pélvico e, quando apropriado, estrogênio vaginal tópico.
Na prática clínica relatada pela autora, questionários como o Índice de Função Sexual Feminina ajudam a mapear dificuldades em desejo, excitação, lubrificação, orgasmo, satisfação e dor, orientando intervenções personalizadas.



